Na sociedade neoliberal, cresce a produção de bens supérfluos, oferecidos como mercadorias indispensáveis. O consumidor, massacrado pela publicidade, acaba se convencendo de que a saúde de seu cabelo depende de uma determinada marca de xampu. Melhor cortar a cabeça do que viver sem o tal produto...
Para o neoliberalismo, o que importa não é o progresso, mas o mercado; não é a qualidade do produto, mas seu alcance publicitário; não é o valor de uso de uma mercadoria, mas o fetiche que a reveste.
Compra-se um produto pela aura que o envolve. A grife da mercadoria promove o status do usuário. Exemplo: se chego de ônibus na casa de um estranho e você desembarca de um BMW, acredita que seremos encarados do mesmo modo?
Para o neoliberalismo, não é o ser humano que imprime valor à mercadoria; ao contrário, a grife da roupa "promove" socialmente o seu usuário, assim como um carro de luxo serve de nicho à exaltação de seu dono. Passa a ser visto pelos bens que envolvem a sua pessoa.
Em si, a pessoa parece não ter nenhum valor à luz da ótica neoliberal. Por isso, quem não possui bens é desprezado e excluído. Quem os possui é invejado, cortejado e festejado. A pessoa passa a ser vista (e valorizada) pelos bens que ostenta.
O mercado é como Deus: invisível, onipotente, onisciente e, agora, com o fim do bloco soviético, onipresente. Dele depende a nossa salvação. Damos mais ouvidos aos profetas do mercado - os indicadores financeiros - que à palavra das Escrituras.
Idolatrias à parte, o mercado é seletivo. Não é uma feira-livre cujos produtos carecem de controle de qualidade e garantia. É como shopping center, onde só entra quem tem (ou aparenta ter) poder aquisitivo.
O mercado é global. Abarca os milhardários de Boston e os zulus da África, os vinhos da mesa do Papa e as peles de ovelhas que agasalham os monges do Tibete. Tudo se compra, tudo se vende: alfinetes e afetos; televisores e valores; deputados e pastores. Para o mercado, honra é uma questão de preço.
Fora do mercado não há salvação - é o dogma do neoliberalismo. Ai de quem não acreditar e ousar pensar diferente! No mercado, ninguém tem valor por ser alguém. O valor é proporcional à posição no mercado. Quem vende ocupa maior hierarquia do que quem compra. E quem comanda o mercado controla os dois.
Mercado vem do verbo latino mercari, "trocar por algo", que deu também origem a mercê, "o que se dá em troca de algo", donde mercearia e mercenário. Comércio vem de "com mercê", com troca. Portanto, é dando que se recebe. Quem não tem capital, produtos ou saber para oferecer no mercado, só entra ofertando a força de trabalho, o corpo ou a imbecilidade (vide TV aos domingos).
O mercado tem suas sofisticações. Não fica bem dizer "tudo é uma questão de mercado". Melhor o anglicismo marketing, que significa "ciência do comércio". É uma questão de marketing o tema da telenovela, o sorriso do apresentador de TV, o visual do candidato e até o anúncio do suculento produto que prepara o colesterol para as olimpíadas do infarto. Vende-se até a imagem primeiromundista de um país atulhado de indigentes perambulando pelos sertões à cata de terra para plantar.
Outrora, olhava-se pela janela para saber como andava o tempo. Hoje, liga-se o rádio e a TV para saber como se comporta o mercado. É ele que traz verão ou inverno às nossas vidas. Seus arautos merecem mais espaço que os meteorologistas. Dele dependem importações e exportações, inversões e fugas de capitais, contratos e fraudes.
Nem todos merecem o mesmo status no mercado. Freguês, quitandeiro ou barraqueiro é quem trabalha no mercado de alimentos. Executivo ou investidor, quem opera no mercado financeiro. Marchand, quem atua no mercado de arte. Corretor, quem agencia no mercado imobiliário. Sujeito de sorte, quem hoje se encontra no mercado de trabalho, ainda que condenado ao salário-mínimo. E quem opera no mercado de capitais? Especulador. Mas quem ousa apresentar-se com tal marketing?
É no mínimo preocupante constatar como, hoje, se enche a boca para falar de mercado e competitividade, e se esvazia o coração de solidariedade. A continuar assim, só restarão os valores da Bolsa. E em que mercado comprar as nossas mais profundas aspirações: amor e comunhão, felicidade e paz?
O mercado desempenha, pois, função religiosa. Ergue-se como novo sujeito absoluto, legitimado por sua perversa lógica de expansão das mercadorias, concentração da riqueza e exclusão dos desfavorecidos. Já reparou como os comentaristas da TV se referem ao mercado? "Hoje o mercado reagiu às últimas declarações do líder da oposição". Ou: "O mercado retraiu-se diante da greve dos trabalhadores".
Parece que o mercado é um elegante e poderoso senhor que habita o alto de um castelo e, de lá, observa o que acontece aqui embaixo. Quando se irrita, pega o celular e liga para o Banco Central. Seu mau humor faz baixar os índices da Bolsa de Valores ou subir a cotação do dólar. Quando está de bom humor, faz subir os índices de valorização das aplicações financeiras.
Para Jesus, "ninguém pode servir a dois senhores. Com efeito, ou odiará um e amará o outro, ou se apegará ao primeiro e desprezará o segundo. Não podeis servir a Deus e ao dinheiro" (Mateus 6, 24). Mas quem se interessa em servir a Deus se ele é invocado pelo fundamentalismo de Bush e Bin Laden? Enquanto os senhores da guerra tomarem o Seu Santo Nome em vão, estaremos distante da tão almejada paz.
Frei Betto é escritor, autor, em parceria com Leonardo Boff, de "Mística e Espiritualidade" (Rocco), entre outros livros.
IN TIMES OF UNIVERSAL DECEIT, TELLING THE TRUTH WILL BE A REVOLUTIONARY ACT.
Tuesday, June 20, 2006
A macieira é que está podre Por Luiz Eça
“Este é um fenômeno que se tornou comum entre muitas das forças multinacionais. Nenhum respeito pelos cidadãos, destruindo carros de civis e matando por um simples palpite. É inaceitável”.
Jawad al-Maliki, primeiro-ministro do Iraque.
A revelação recente do assassinato por militares dos Estados Unidos de civis inocentes em Hadhita desencadeou uma série de denúncias de violações dos direitos humanos, reforçadas por abundantes testemunhas e fotos. O que levou a ONG “Human Rights Watch” a afirmar que os abusos de Abu Ghraib foram apenas a ponta do iceberg.
Em Haditha, fuzileiros navais, vingando a morte de um dos seus num atentado a bomba, invadiu casas das famílias das vizinhanças matando 24 pessoas, inclusive um menino de 4 anos e um velho aleijado. Seus superiores procuraram isentar os envolvidos de culpa. Só depois que a Time publicou a história, o Pentágono resolveu investigar o caso.
Nos combates contra os insurgentes de Haditha, os militares americanos puniram a cidade inteira, cortando a eletricidade e a água, atacando o hospital e até matando um doente em seu próprio leito.
Incidente semelhante ocorreu em Izahaqi. Ao atacar uma casa suspeita, tropas americanas mataram 11 civis. Cinco deles eram crianças com menos de 5 anos. Nenhum tinha qualquer vínculo com a insurgência. A polícia local garantiu, com base em fotos e testemunhos, que as vítimas foram executadas. Mas o Pentágono considerou tudo “danos colaterais” a uma ação militar legal, liberando os soldados envolvidos. Foi tão chocante que até o dócil primeiro-ministro iraquiano protestou, exigindo desculpas e compensações às famílias das vítimas.
Novas acusações de crimes de guerra se seguiram, justificando a frase de Omar al-Juburi, porta-voz do maior partido sunita: “As forças dos Estados Unidos violaram os direitos humanos em todo o Iraque e muitas vezes”. Somente em maio, ele refere, 29 civis inocentes foram mortos nas cidades de Latifiyah e Yusifiyah durante ataques aéreos contra casas e automóveis presumivelmente suspeitos.
O governo Bush tem procurado esconder estes fatos. Quando se tornam públicos, ou culpa algumas raras “maçãs podres”, que, afinal, existem em qualquer parte, ou a falta de treinamento adequado.
No caso de Abu Ghraib, usou-se a teoria das maçãs podres. Mas, quando elas começaram a se tornar abundantes, foi necessário buscar outra. Que foi alegada em Haditha. Falou-se em “treinamento inadequado”, o que seria atribuir às Forças Armadas americanas uma espécie de “culpa administrativa”, algo muito mais leve... Se falta o treinamento, raciocinou o Pentágono, treinar nossos rapazes é a solução, anunciada com destaque pelo governo Bush.
No entanto, para alguns analistas, o treinamento é que está errado. Desde seu recrutamento, os soldados são ensinados que os Estados Unidos têm o direito (divino, segundo Bush) de usar de força mortal em qualquer parte do mundo onde o governo julgar os interesses pátrios ameaçados. Por isso, invadir o Iraque era necessário, não importa a oposição da ONU e a violação do direito internacional. A maioria dos soldados, acreditando no seu presidente, acha que guerreia um povo envolvido no bombardeio das torres gêmeas – conforme pesquisas. Como corolário, esse povo merece receber em troca a mesma brutalidade que usou no 11 de setembro.
Estas lições foram aplicadas na batalha de Falujah, há um ano atrás, da qual os mesmos fuzileiros de Haditha participaram.
Em Falujah, cidade sunita, seguranças americanos foram cruelmente assassinados por terroristas. A foto dos seus cadáveres desonrados, com o aplauso de pessoas não identificadas, chocou o mundo.
Como represália, o Pentágono lançou contra Falujah um poderoso ataque, incluindo tanques, aviões e até bombas químicas. Foi uma das mais selvagens destruições de uma cidade desde a 2ª. Guerra Mundial. Depois de oito semanas de bombardeios sem pausas, foram cortados a água, a eletricidade e o suprimento de alimentos da cidade. Dois terços da população fugiram. Entre os que ficaram, quem tinha de 15 a 60 anos era considerado “terrorista” e alvejado ao sair de casa. Assim morreram 6.000 pessoas, a maioria civis, pois os terroristas, logo no início, haviam fugido.
Foi um caso de punição coletiva, uma lição da Casa Branca que os fuzileiros aprenderam em Falujah e aplicaram em Haditha.
Outra lição ensinada desde o início da ocupação: em caso de mera suspeita, atirar sem vacilações. Foi assim que soldados americanos alvejaram o carro da jornalista italiana Giuliana Sgrena, causando a morte de um segurança.
A conseqüência desta postura é que, segundo os cálculos da polícia local, a cada dois dias, um civil iraquiano inocente é morto pelo exército da coalizão.
Depois das atrocidades de Haditha, o governo americano prometeu realizar sérios programas de treinamento dos seus soldados, deixando implícitas preocupações com direitos humanos. Mas, em 5 de junho, o Los Angeles Times revelou que o novo manual de interrogatórios das forças armadas, ao discriminar as práticas ilegais, omite o “tratamento humilhante e degradante”. Coisas como obrigar os suspeitos a urinarem uns nos outros, a relações sexuais entre si e outras aberrações comuns em Abu Ghraib. Segundo um oficial informou ao jornal: “A idéia geral é que eles precisam de maior flexibilidade para aplicar técnicas cruéis se necessidades militares o exigirem”.
Enquanto os americanos procuram negar ou minimizar as violências praticadas por seus militares, falam em raras exceções ou em falta de treinamentos, os próprios líderes do regime amigo do Iraque protestam.
O primeiro-ministro Jawad al-Maliki exige que passem para seu governo os inquéritos da matança de Haditha, numa demonstração de falta de confiança nas autoridades da coalizão. O vice-presidente Hashimi pede que a ONU se junte às investigações dos crescentes “erros sangrentos” dos soldados americanos.
A esse respeito, disse Sharif Nashashibi da ONG “Arab Media Watch”: “Cada vez que algo assim (um atentado) acontece, você ouve oficiais americanos e ingleses falarem em algumas ‘maçãs podres’. E, realmente, a sensação é que a árvore inteira está podre”.
Luiz Eça é jornalista.
Siguen matando periodistas en América Latina
Siguen matando periodistas
Nueve periodistas de seis países de América Latina han sido asesinados en lo que va del año 2006. México encabeza el balance, con 3 víctimas, según el informe semestral de la Comisión Investigadora de Atentados a Periodistas (Ciap), de la Federación Latinoamericana de Periodistas (Felap).
El documento, emitido en la capital mexicana con motivo del 30º aniversario de la organización continental, establece que entre enero y junio asesinaron periodistas en Ecuador (2), Colombia (1), Guyana (1), México (3) y Venezuela (1), más una desaparición en Paraguay. Durante 6 meses, el trágico balance cobró 9 víctimas en 6 países.
La tendencia estadística totalizaría unas 18 víctimas para todo el año 2006, acercándose al fatídico guarismo de 20 muertes de 1995. En ese año mataron a 14 periodistas en 7 países: Brasil (3), Colombia (3), Ecuador (1), Haití (2), México (3), Nicaragua (1) y Venezuela (1). En 1994 fueron asesinados 22 profesionales en 9 países: Argentina (2), Brasil (3), Colombia (3), Haití (1), México (5), Nicaragua (2), República Dominicana (3), Perú (2) y Venezuela (1).
Además de asesinatos y desapariciones, los periodistas de toda la región sufrieron a diario ataques de diversa naturaleza, desde amenazas de muerte, golpizas de las mafias y agresiones policiales hasta atentados gubernamentales y legislativos.
El mayor peligro de muerte del periodismo regional radica hoy en la alianza entre bandas armadas del narcotráfico asociadas a la corrupción del poder político local, sea estadal, regional, provincial y/o municipal. En varios países latinoamericanos se consolida una nueva clase política local de extracción delictiva que ejerce una suerte de "narco-poder" o "corrup-poder" en asociación con los ejércitos privados del crimen armado.
La mayoría de los periodistas asesinados trabajaba en diarios, periódicos, radios y otros medios locales. México es el país donde asesinan hoy a más periodistas, tras quitarle el triste cetro a Colombia. En los seis años de gobierno de Vicente Fox, han sido asesinados 23 periodistas, mientras la Federación de Asociaciones de Periodistas Mexicanos (Fapermex) contabiliza 57 asesinatos desde 1983. Durante los 30 años de existencia de la Felap, desde su fundación en 1976, cerca de 800 periodistas han sido asesinados en América Latina y el Caribe.
Sigue creciendo en todo el mundo la tasa de muerte de periodistas que cumplen su deber de informar a la sociedad, asesinados por el crimen político-militar, político-policial y narco-político. Por ejemplo, en Irak, desde que empezó la guerra en marzo de 2003, han muerto 76 periodistas victimados por el ejército invasor estadounidense y la resistencia local, entre ellos 55 iraqueses, mucho más que todos los reporteros muertos durante la Segunda Guerra Mundial y en la cobertura de los dos decenios de la guerra de Vietnam.
De enero a mayo de 2006, se han registrado 16 muertes de periodistas en todo el mundo, más 6 colaboradores de prensa asesinados por su trabajo, mientras otros 100 permanecían detenidos en distintas cárceles del mundo, según fuentes especializadas. En 2005 hubo en todo el mundo 63 periodistas y 5 colaboradores muertos mientras ejercían su profesión, las peores cifras contabilizadas desde 1995, en gran parte debido a la inseguridad que introdujo en Irak la invasión de EEUU, en un país que en 2005 registró, por tercer año consecutivo, los mayores asesinatos de periodistas (24 y 5 colaboradores).
Pero en América Latina matan periodistas sin que haya ninguna guerra interna ni invasión militar extranjera frontal, excepto el conflicto armado de baja intensidad que sacude a Colombia desde hace medio siglo y que no impidió las elecciones que reeligieron a Álvaro Uribe Vélez con una tasa de abstención del 60%, superior a la registrada en cualquier otro país de la región, incluidas las cuestionadas democracias "populistas" de Venezuela y Bolivia.
Asesinatos enero-junio 2006
- México, 6 de enero: fue muerto a puñaladas el periodista radial José Valdés, en Sabinas (Coahuila), en la frontera con Texas. Pilar Cortázar, colega y amiga de la víctima, acusó a narcotraficantes, cuyas conexiones mafiosas con militares encargados del combate a las drogas precisamente eran investigadas por Valdés.
- Guyana, 30 de enero: dos pistoleros asestaron 13 balazos mortales en su residencia de Georgetown al periodista Ronald Waddell, del Canal 9 HBTV, crítico del presidente Bharrat Jagdeo y miembro del partido Congreso Nacional del Pueblo.
- Colombia, 20 de marzo: murió en Medellín el periodista radial Gustavo Rojas Gabalo, quien sufrió un atentado de sicarios el 4 de febrero en Montería, departamento de Córdoba, en la región del conflicto armado.
- Paraguay, 4 de febrero: en el poblado de Yby Yaú, departamento de Concepción, desapareció el periodista Enrique Galeano, de Radio Azotey, de Horqueta, y editor de la revista mensual Aló Vecino. Julio Benegas, secretario general del Sindicato de Periodistas de Paraguay, denunció la desaparición al Ministerio del Interior, pero hasta hoy no hubo progresos en la investigación.
- Ecuador, 13 de febrero: en Guayaquil mataron de disparos a quemarropa a José Luís León, de "Radio Minutera".
- Ecuador, 14 de febrero: también en Guayaquil, y con el mismo método, asesinaron a Saúl Suárez, reportero gráfico de "La Hora Durandeña" y de "La Prensa". Estos crímenes fueron condenados por el director general de UNESCO, Kochiro Matsuura.
- México, 9 de marzo: en La Piedad (Michoacán) asesinan a tiros a Jaime Arturo Overa Bravo, fotógrafo independiente y ex corresponsal del diario de Moreali La Voz de Michoacán, mientras esperaba el autobús acompañado de un hijo de cinco años. También el Director General de la UNESCO, Koichiro Matsuura, condenó este asesinato.
- México, 10 de marzo: cuando salía de su casa en Nuevo Laredo (Tamaulipas), asesinaron a balazos a Ramiro Téllez Contreras, periodista de la radio local Exa 95.7 FM y telefonista en un puesto de policía. Desde 1999, ocho periodistas han sido asesinados en Tamaulipas.
- Venezuela, 6 de abril: el fotógrafo Jorge Aguirre, del vespertino El Mundo, de la cadena Capriles, fue asesinado cuando cubría una protesta contra una ola de crímenes por Boris Blanco Arcia, de 33 años, ex policía de Caracas, cesado en sus funciones en octubre de 2005, quien disparó desde la motocicleta que conducía Charly Briceño, otro policía municipal.
Otros atentados en México
Además de los asesinatos, en Latinoamérica se constata una variedad de atentados contra periodistas y medios de comunicación y resaltan, por su gravedad, los ocurridos en México. Amerigo Incalterra, Alto Comisionado de la Naciones Unidas para los Derechos Humanos en ese país declaró el 15 de febrero que en los tres meses anteriores se había documentado 12 atentados a trabajadores de la prensa.
El seis de febrero, hombres armados penetraron disparando a la sede del periódico "El Mañana", de Nuevo Laredo, estallaron una granada e hirieron al reportero Jaime Orozco. "El ataque produjo daños considerables, mientras que cristales rotos, puertas horadadas por las balas y un apagón era el panorama que presentaba la redacción", apuntó el sitio web del periódico.
La Fapermex y el Club Primera Plana han venido denunciando asesinatos y atentados continuos, influyendo en la creación de un grupo parlamentario de seguimiento a los atropellos y una fiscalía especializada para delitos contra periodistas, dependiente de la Procuraduría General de la República (PGB).
El vicepresidente mexicano de la Felap, Teodoro Rentería Arróyave, y los presidentes de Fapermex, José Antonio Calcáneo Collado, y del Club Primera Plana, Raúl Durán Cárdenas, reclamaron protección al Fiscal Especial de Atentados a Periodistas, David Vega Vera, y a los diputados del Grupo de Trabajo de Seguimiento a Atentados a Periodistas y Medios de la Cámara Baja del Congreso de la Unión, Beatriz Mojica Morga (presidenta), Jesús González Small y Ruth Zavaleta.
La periodista mexicana Lydia Cacho, quien sufrió violentos atropellos a finales de 2005, escribió el 12 de marzo: "Han pasado 82 días desde que fui arbitrariamente detenida y encarcelada por haber escrito un trabajo periodístico que delata una red de pornografía infantil [.] He admirado el profesionalismo y la solidaridad de mis colegas periodistas que no me han dejado sola un minuto y han seguido la pista de los criminales". Agregó Cacho: "Han aumentado a cinco los agentes federales que resguardan mi vida y el vehículo blindado que me adjudicó la agencia contra el crimen es de blindaje tipo 7, el máximo". Así están las cosas en México.
Atentados a granel
Una mirada sucinta a los últimos 30 días revela que en América Latina se producen atentados prácticamente todos los días, ocasionando denuncias de las organizaciones de periodistas y de las propias víctimas.
Por ejemplo, en Perú, el 31 de mayo, Robin Ipanaque Hidaldo y Walter Maldonado Maguiña, de Radio Melodía de Huaraz, fueron agredidos físicamente por Isaías Terry Valverde, dirigente del Club Sport Ancash del fútbol profesional peruano.
En ese mismo país, el 29 de mayo, el periodista Eduardo Ganoza Cochachi fue agredido por dos militantes del partido peruano APRA por cuestionar su conducta contra un dirigente del Partido Nacionalista.
En Chile, el 31 de mayo, Carabineros hirió a seis periodistas que cubrían la represión a los estudiantes secundarios que reclamaban cambios de fondo en las leyes educativas.
La Asociación de Periodistas de Guatemala (APG) condenó la agresión contra el periodista Alberto Cardona, perpetrada por agentes de la empresa privada de Seguridad Integral el 24 de mayo de 2006 en el Estadio del Ejército.
También en Perú, 25 de mayo de 2006, Walter Rocha Chocos, director y conductor del informativo "Día a Día" de AMR televisión de Huaraz, recibió amenazas de muerte en su teléfono móvil. El mismo día, la periodista Gudelia Gálvez Tafur, de la televisora Red Global Huaraz, recibió una intimidación similar, también a su teléfono móvil. Ambos, identificaron al agresor como el Gerente de Servicios Públicos del Gobierno Provincial de Huaraz, Augusto Rojo Ángeles.
En Honduras, el presidente del Congreso Nacional, Roberto Micheletti, eligió el 25 de mayo de 2006, Día del Periodista hondureño, para engavetar la Ley de Transparencia y Acceso a la Información Pública por considerar que no había consenso, existía mucha oposición, el dictamen no le convencía y porque el presidente Manuel Zelaya, gestor de la iniciativa, pidió "tiempo" para enviar sus observaciones.
En México, la reportera de espectáculos Gloria Rubí fue agredida en mayo por la cantante de rock Alejandra Guzmán, en el 11º aniversario del programa de televisión "Otro rollo".
En Argentina, periodistas denunciaron el 22 de mayo que sus casillas de e-mail fueron violadas por desconocidos que, además, difundieron listas con las contraseñas de unos 20 reporteros. Días antes, se conoció el espionaje y robo de información del correo electrónico del periodista de "Clarín" Daniel Santoro, respecto de un diálogo confidencial que mantuvo con un juez por un caso de narcotráfico.
En Perú, el 21 de mayo, la periodista Janet Mori de Panamericana Televisión y el reportero gráfico Enrique Cúneo, del diario "El Comercio", fueron agredidos por Daniel Abugattás, congresista electo de la agrupación política Unión Por el Perú (UPP). durante un debate público entre los candidatos presidenciales Alan García (Alianza Popular Revolucionaria Americana, APRA) y Ollanta Humala Tasso (UPP).
En Colombia, el 17 de mayo se supo que cuatro periodistas fueron detenidos en el Departamento del Cauca mientras cubrían protestas indígenas contra el tratado de libre comercio con EEUU. Días después fueron liberados Richard Calpa, director de la radio La Libertad, del municipio de Totoró; Marcelo Forero, periodista del sitio web El Turbión, de Bogotá; Carmén Eugenia León y Jesús López, informadores de la red de radios étnicas Asociación de Cabildos Indígenas.
En Uruguay, un fallo judicial condenó a tres meses de prisión al periodista Gustavo Escanlar Patrone, por el delito de injuria.
En Colombia, el periodista Pedro Antonio Cárdenas Cáceres, de la publicación quincenal La Verdad, de Honda, abandonó su hogar en el departamento Tolima y huyó con su familia a Bogotá por amenazas de muerte de paramilitares recibidas después de publicar informes sobre corrupción gubernamental.
En México, durante la primera semana de mayo, el juez del 11º Distrito de Amparo en Materia Penal del Distrito Federal, Jacinto Figueroa Salmorán, decidió que continúe en proceso la denuncia contra el periodista Sergio Sarmiento por el delito de difamación interpuesta en octubre de 2003 por el ex cónsul Humberto Hernández Haddad.
En Perú, el 10 de mayo, Luis Bahamonde y Eliana Villavicencio, del diario "Correo de Trujillo" recibieron anónimas amenazas telefónicas de muerte por publicaciones respecto a los hermanos Luis, Wilfredo y John Salazar Paredes, acusados de narcotráfico y detenidos el 6 de mayo.
En Honduras, el dueño del Canal 49 de televisión, de Santa Rosa de Copán, reintegró a sus funciones el 24 de abril a la periodista Wendy Guerra, despedida por presiones del gobierno local.
Ultraje sexual a fotógrafas
En México, el 4 de mayo, la policía perpetró intolerables actos de violencia y abusos sexuales contra tres fotógrafas extranjeras que cubrían una manifestación por la paz en San Salvador Atenco, un suburbio del Distrito Federal. Las víctimas fueron la española María Sostres, la estudiante alemana de fotografía Samantha Dietmar y la estudiante chilena de antropología y realización cinematográfica Valentina Palma Novoa.
En Honduras, Octavio Carvajal, conductor de programas radiales en la emisora capitalina STC Noticias, denunció ante el Ministerio Público o Fiscalía del Estado, al subgerente de la estatal empresa telefónica Hondutel, Marcelo Chimirri, por agresiones físicas que sufrió cuando salía de su residencia en una colonia capitalina. Asimismo, anunció que abandonaría temporalmente el país el 11 de mayo de 2006 por temor a represalias.
La Comisión de Libertad de Prensa de la Asociación de Periodistas de Guatemala (APG) reclamó ante el ministerio Público por el fallo judicial que dejó libres a dos agentes de la Policía Nacional Civil que atacaron y coaccionaron a dos reporteros de "Nuestro Diario" durante el violento desalojo de campesinos efectuado el 31 de agosto de 2004 por las fuerzas de seguridad del gobierno en la finca "Nueva Linda", en el departamento de Retalhuleu.
En Costa Rica, la Cámara Constitucional del Tribunal Supremo de Justicia rechazó el 3 de mayo un recurso de inconstitucionalidad contra el artículo 7 de la Ley de Prensa, que establece penas de cárcel para delitos de "calumnia" e "injuria" cometidos a través de la prensa.
En Perú, el periodista Javier Poma Sotelo, director y conductor del espacio "ATV Noticias" y del programa "Impacto", comenzó a recibir amenazas de muerte el 2 de mayo a través de mensajes de texto a su teléfono móvil. Posteriormente fue agredido por el propietario de una discoteca y un grupo de futbolistas profesionales del Club Sport Ancash, de Huaraz, capital de la región Ancash, junto a sus colegas Luis Medina Villacorta, director y productor del informativo "ATV Noticias"; y Nilton Rodríguez Soto, director del programa "Contacto semanal" de Red Global y su asistente, César Giraldo.
En Mexico, el 2 de mayo de 2006, el juez 12º civil del Distrito Federal, Carlos Miguel Jiménez, ordenó a la periodista Olga Wornat y al semanario "Proceso" el pagó de 180.000 dólares por daño moral contra la esposa del presidente de México, Martha Sahagún.
En Chile, el 1 de mayo de 2006, los fotógrafos Santiago Llanquín, de la agencia de noticias Associated Press, y Danny Alveal, del diario "Las Últimas Noticias", resultaron heridos por desconocidos durante la cobertura de una marcha convocada por la Central Unitaria de Trabajadores (CUT) para conmemorar el Día del Trabajador en Santiago.
En Venezuela, el periodista Henry Crespo fue sentenciado a 18 meses de prisión en suspenso por "difamación penal", tras informar sobre corrupción gubernamental.
En Colombia, Daniel Muñoz, fotógrafo de la agencia internacional de prensa Reuters, fue agredido por un agente de la Policía en los disturbios acaecidos el 2 de mayo, durante un paro de transportes de la ciudad de Bogotá.
En Brasil, solicitaron a Luiz Inácio Lula da Silva su colaboración para esclarecer la muerte del periodista Manoel Leal de Oliveira, asesinado de seis balazos el 14 de enero de 1998.
En Colombia, el 17 de abril se lamentó la muerte del periodista de televisión Jairo Muñoz, de 42 años, quien murió cubriendo aludes en los que perdieron la vida casi 30 habitantes de la costa pacífica.
En Perú, el 5 de abril, la periodista Marilú Gambini, del programa "Confidencial" de canal 31 de televisión, abandonó el país con sus dos hijos menores de edad tras ser amenazada nuevamente de muerte el 28 de marzo y sin que las autoridades determinaran aún a los agresores. Gambini ha sido amenazada y golpeada repetidas veces debido a las investigaciones que realiza sobre el narcotráfico en Chimbote, al noroeste del país.
En Peru, el 3 de abril, la Sala Especializada en lo Penal de Coronel Portillo, Pucallpa, región Uyacalí, ordenó la detención del alcalde Luis Valdez Villacorta y del vocal Solio Ramírez Garay, presuntos autores intelectuales del asesinato del periodista Alberto Rivera Fernández, perpetrado en abril de 2004. Ambos inculpados están prófugos.
En México, más de cien diarios, a los que se suman varios periódicos en español del sur de EEUU, acordaron publicar simultáneamente el 3 de abril un reportaje sobre Jiménez Mota, periodista del "El Imparcial", de Hermosillo, Sonora, desaparecido desde el 2 de abril del 2005.
En Colombia, el 15 de marzo, fue secuestrada durante dos horas en el taxi en que se dirigía a su casa la periodista Elizabeth Vargas Pacheco, directora de la Asociación Democrática Para la Defensa de los Derechos Humanos (ASDEH). La periodista, ya intimidada en 2005, recibió nuevas amenazas de muerte, le notificaron que conocían su trabajo y le robaron dinero y su teléfono móvil. Hasta el momento, la policía sólo ha identificado la placa y el dueño del vehículo.
- Comisión Investigadora de Atentados a Periodistas (Ciap) de la Federación Latinoamericana de Periodistas (Felap): Presidente, Hernán Uribe (Chile), Secretario Ejecutivo, Ernesto Carmona (Chile), Director Ejecutivo, José Dos Santos (Cuba); Sub Director Ejecutivo, Antonio Calcáneo (México).
http://alainet.org/active/11908〈=es
Nueve periodistas de seis países de América Latina han sido asesinados en lo que va del año 2006. México encabeza el balance, con 3 víctimas, según el informe semestral de la Comisión Investigadora de Atentados a Periodistas (Ciap), de la Federación Latinoamericana de Periodistas (Felap).
El documento, emitido en la capital mexicana con motivo del 30º aniversario de la organización continental, establece que entre enero y junio asesinaron periodistas en Ecuador (2), Colombia (1), Guyana (1), México (3) y Venezuela (1), más una desaparición en Paraguay. Durante 6 meses, el trágico balance cobró 9 víctimas en 6 países.
La tendencia estadística totalizaría unas 18 víctimas para todo el año 2006, acercándose al fatídico guarismo de 20 muertes de 1995. En ese año mataron a 14 periodistas en 7 países: Brasil (3), Colombia (3), Ecuador (1), Haití (2), México (3), Nicaragua (1) y Venezuela (1). En 1994 fueron asesinados 22 profesionales en 9 países: Argentina (2), Brasil (3), Colombia (3), Haití (1), México (5), Nicaragua (2), República Dominicana (3), Perú (2) y Venezuela (1).
Además de asesinatos y desapariciones, los periodistas de toda la región sufrieron a diario ataques de diversa naturaleza, desde amenazas de muerte, golpizas de las mafias y agresiones policiales hasta atentados gubernamentales y legislativos.
El mayor peligro de muerte del periodismo regional radica hoy en la alianza entre bandas armadas del narcotráfico asociadas a la corrupción del poder político local, sea estadal, regional, provincial y/o municipal. En varios países latinoamericanos se consolida una nueva clase política local de extracción delictiva que ejerce una suerte de "narco-poder" o "corrup-poder" en asociación con los ejércitos privados del crimen armado.
La mayoría de los periodistas asesinados trabajaba en diarios, periódicos, radios y otros medios locales. México es el país donde asesinan hoy a más periodistas, tras quitarle el triste cetro a Colombia. En los seis años de gobierno de Vicente Fox, han sido asesinados 23 periodistas, mientras la Federación de Asociaciones de Periodistas Mexicanos (Fapermex) contabiliza 57 asesinatos desde 1983. Durante los 30 años de existencia de la Felap, desde su fundación en 1976, cerca de 800 periodistas han sido asesinados en América Latina y el Caribe.
Sigue creciendo en todo el mundo la tasa de muerte de periodistas que cumplen su deber de informar a la sociedad, asesinados por el crimen político-militar, político-policial y narco-político. Por ejemplo, en Irak, desde que empezó la guerra en marzo de 2003, han muerto 76 periodistas victimados por el ejército invasor estadounidense y la resistencia local, entre ellos 55 iraqueses, mucho más que todos los reporteros muertos durante la Segunda Guerra Mundial y en la cobertura de los dos decenios de la guerra de Vietnam.
De enero a mayo de 2006, se han registrado 16 muertes de periodistas en todo el mundo, más 6 colaboradores de prensa asesinados por su trabajo, mientras otros 100 permanecían detenidos en distintas cárceles del mundo, según fuentes especializadas. En 2005 hubo en todo el mundo 63 periodistas y 5 colaboradores muertos mientras ejercían su profesión, las peores cifras contabilizadas desde 1995, en gran parte debido a la inseguridad que introdujo en Irak la invasión de EEUU, en un país que en 2005 registró, por tercer año consecutivo, los mayores asesinatos de periodistas (24 y 5 colaboradores).
Pero en América Latina matan periodistas sin que haya ninguna guerra interna ni invasión militar extranjera frontal, excepto el conflicto armado de baja intensidad que sacude a Colombia desde hace medio siglo y que no impidió las elecciones que reeligieron a Álvaro Uribe Vélez con una tasa de abstención del 60%, superior a la registrada en cualquier otro país de la región, incluidas las cuestionadas democracias "populistas" de Venezuela y Bolivia.
Asesinatos enero-junio 2006
- México, 6 de enero: fue muerto a puñaladas el periodista radial José Valdés, en Sabinas (Coahuila), en la frontera con Texas. Pilar Cortázar, colega y amiga de la víctima, acusó a narcotraficantes, cuyas conexiones mafiosas con militares encargados del combate a las drogas precisamente eran investigadas por Valdés.
- Guyana, 30 de enero: dos pistoleros asestaron 13 balazos mortales en su residencia de Georgetown al periodista Ronald Waddell, del Canal 9 HBTV, crítico del presidente Bharrat Jagdeo y miembro del partido Congreso Nacional del Pueblo.
- Colombia, 20 de marzo: murió en Medellín el periodista radial Gustavo Rojas Gabalo, quien sufrió un atentado de sicarios el 4 de febrero en Montería, departamento de Córdoba, en la región del conflicto armado.
- Paraguay, 4 de febrero: en el poblado de Yby Yaú, departamento de Concepción, desapareció el periodista Enrique Galeano, de Radio Azotey, de Horqueta, y editor de la revista mensual Aló Vecino. Julio Benegas, secretario general del Sindicato de Periodistas de Paraguay, denunció la desaparición al Ministerio del Interior, pero hasta hoy no hubo progresos en la investigación.
- Ecuador, 13 de febrero: en Guayaquil mataron de disparos a quemarropa a José Luís León, de "Radio Minutera".
- Ecuador, 14 de febrero: también en Guayaquil, y con el mismo método, asesinaron a Saúl Suárez, reportero gráfico de "La Hora Durandeña" y de "La Prensa". Estos crímenes fueron condenados por el director general de UNESCO, Kochiro Matsuura.
- México, 9 de marzo: en La Piedad (Michoacán) asesinan a tiros a Jaime Arturo Overa Bravo, fotógrafo independiente y ex corresponsal del diario de Moreali La Voz de Michoacán, mientras esperaba el autobús acompañado de un hijo de cinco años. También el Director General de la UNESCO, Koichiro Matsuura, condenó este asesinato.
- México, 10 de marzo: cuando salía de su casa en Nuevo Laredo (Tamaulipas), asesinaron a balazos a Ramiro Téllez Contreras, periodista de la radio local Exa 95.7 FM y telefonista en un puesto de policía. Desde 1999, ocho periodistas han sido asesinados en Tamaulipas.
- Venezuela, 6 de abril: el fotógrafo Jorge Aguirre, del vespertino El Mundo, de la cadena Capriles, fue asesinado cuando cubría una protesta contra una ola de crímenes por Boris Blanco Arcia, de 33 años, ex policía de Caracas, cesado en sus funciones en octubre de 2005, quien disparó desde la motocicleta que conducía Charly Briceño, otro policía municipal.
Otros atentados en México
Además de los asesinatos, en Latinoamérica se constata una variedad de atentados contra periodistas y medios de comunicación y resaltan, por su gravedad, los ocurridos en México. Amerigo Incalterra, Alto Comisionado de la Naciones Unidas para los Derechos Humanos en ese país declaró el 15 de febrero que en los tres meses anteriores se había documentado 12 atentados a trabajadores de la prensa.
El seis de febrero, hombres armados penetraron disparando a la sede del periódico "El Mañana", de Nuevo Laredo, estallaron una granada e hirieron al reportero Jaime Orozco. "El ataque produjo daños considerables, mientras que cristales rotos, puertas horadadas por las balas y un apagón era el panorama que presentaba la redacción", apuntó el sitio web del periódico.
La Fapermex y el Club Primera Plana han venido denunciando asesinatos y atentados continuos, influyendo en la creación de un grupo parlamentario de seguimiento a los atropellos y una fiscalía especializada para delitos contra periodistas, dependiente de la Procuraduría General de la República (PGB).
El vicepresidente mexicano de la Felap, Teodoro Rentería Arróyave, y los presidentes de Fapermex, José Antonio Calcáneo Collado, y del Club Primera Plana, Raúl Durán Cárdenas, reclamaron protección al Fiscal Especial de Atentados a Periodistas, David Vega Vera, y a los diputados del Grupo de Trabajo de Seguimiento a Atentados a Periodistas y Medios de la Cámara Baja del Congreso de la Unión, Beatriz Mojica Morga (presidenta), Jesús González Small y Ruth Zavaleta.
La periodista mexicana Lydia Cacho, quien sufrió violentos atropellos a finales de 2005, escribió el 12 de marzo: "Han pasado 82 días desde que fui arbitrariamente detenida y encarcelada por haber escrito un trabajo periodístico que delata una red de pornografía infantil [.] He admirado el profesionalismo y la solidaridad de mis colegas periodistas que no me han dejado sola un minuto y han seguido la pista de los criminales". Agregó Cacho: "Han aumentado a cinco los agentes federales que resguardan mi vida y el vehículo blindado que me adjudicó la agencia contra el crimen es de blindaje tipo 7, el máximo". Así están las cosas en México.
Atentados a granel
Una mirada sucinta a los últimos 30 días revela que en América Latina se producen atentados prácticamente todos los días, ocasionando denuncias de las organizaciones de periodistas y de las propias víctimas.
Por ejemplo, en Perú, el 31 de mayo, Robin Ipanaque Hidaldo y Walter Maldonado Maguiña, de Radio Melodía de Huaraz, fueron agredidos físicamente por Isaías Terry Valverde, dirigente del Club Sport Ancash del fútbol profesional peruano.
En ese mismo país, el 29 de mayo, el periodista Eduardo Ganoza Cochachi fue agredido por dos militantes del partido peruano APRA por cuestionar su conducta contra un dirigente del Partido Nacionalista.
En Chile, el 31 de mayo, Carabineros hirió a seis periodistas que cubrían la represión a los estudiantes secundarios que reclamaban cambios de fondo en las leyes educativas.
La Asociación de Periodistas de Guatemala (APG) condenó la agresión contra el periodista Alberto Cardona, perpetrada por agentes de la empresa privada de Seguridad Integral el 24 de mayo de 2006 en el Estadio del Ejército.
También en Perú, 25 de mayo de 2006, Walter Rocha Chocos, director y conductor del informativo "Día a Día" de AMR televisión de Huaraz, recibió amenazas de muerte en su teléfono móvil. El mismo día, la periodista Gudelia Gálvez Tafur, de la televisora Red Global Huaraz, recibió una intimidación similar, también a su teléfono móvil. Ambos, identificaron al agresor como el Gerente de Servicios Públicos del Gobierno Provincial de Huaraz, Augusto Rojo Ángeles.
En Honduras, el presidente del Congreso Nacional, Roberto Micheletti, eligió el 25 de mayo de 2006, Día del Periodista hondureño, para engavetar la Ley de Transparencia y Acceso a la Información Pública por considerar que no había consenso, existía mucha oposición, el dictamen no le convencía y porque el presidente Manuel Zelaya, gestor de la iniciativa, pidió "tiempo" para enviar sus observaciones.
En México, la reportera de espectáculos Gloria Rubí fue agredida en mayo por la cantante de rock Alejandra Guzmán, en el 11º aniversario del programa de televisión "Otro rollo".
En Argentina, periodistas denunciaron el 22 de mayo que sus casillas de e-mail fueron violadas por desconocidos que, además, difundieron listas con las contraseñas de unos 20 reporteros. Días antes, se conoció el espionaje y robo de información del correo electrónico del periodista de "Clarín" Daniel Santoro, respecto de un diálogo confidencial que mantuvo con un juez por un caso de narcotráfico.
En Perú, el 21 de mayo, la periodista Janet Mori de Panamericana Televisión y el reportero gráfico Enrique Cúneo, del diario "El Comercio", fueron agredidos por Daniel Abugattás, congresista electo de la agrupación política Unión Por el Perú (UPP). durante un debate público entre los candidatos presidenciales Alan García (Alianza Popular Revolucionaria Americana, APRA) y Ollanta Humala Tasso (UPP).
En Colombia, el 17 de mayo se supo que cuatro periodistas fueron detenidos en el Departamento del Cauca mientras cubrían protestas indígenas contra el tratado de libre comercio con EEUU. Días después fueron liberados Richard Calpa, director de la radio La Libertad, del municipio de Totoró; Marcelo Forero, periodista del sitio web El Turbión, de Bogotá; Carmén Eugenia León y Jesús López, informadores de la red de radios étnicas Asociación de Cabildos Indígenas.
En Uruguay, un fallo judicial condenó a tres meses de prisión al periodista Gustavo Escanlar Patrone, por el delito de injuria.
En Colombia, el periodista Pedro Antonio Cárdenas Cáceres, de la publicación quincenal La Verdad, de Honda, abandonó su hogar en el departamento Tolima y huyó con su familia a Bogotá por amenazas de muerte de paramilitares recibidas después de publicar informes sobre corrupción gubernamental.
En México, durante la primera semana de mayo, el juez del 11º Distrito de Amparo en Materia Penal del Distrito Federal, Jacinto Figueroa Salmorán, decidió que continúe en proceso la denuncia contra el periodista Sergio Sarmiento por el delito de difamación interpuesta en octubre de 2003 por el ex cónsul Humberto Hernández Haddad.
En Perú, el 10 de mayo, Luis Bahamonde y Eliana Villavicencio, del diario "Correo de Trujillo" recibieron anónimas amenazas telefónicas de muerte por publicaciones respecto a los hermanos Luis, Wilfredo y John Salazar Paredes, acusados de narcotráfico y detenidos el 6 de mayo.
En Honduras, el dueño del Canal 49 de televisión, de Santa Rosa de Copán, reintegró a sus funciones el 24 de abril a la periodista Wendy Guerra, despedida por presiones del gobierno local.
Ultraje sexual a fotógrafas
En México, el 4 de mayo, la policía perpetró intolerables actos de violencia y abusos sexuales contra tres fotógrafas extranjeras que cubrían una manifestación por la paz en San Salvador Atenco, un suburbio del Distrito Federal. Las víctimas fueron la española María Sostres, la estudiante alemana de fotografía Samantha Dietmar y la estudiante chilena de antropología y realización cinematográfica Valentina Palma Novoa.
En Honduras, Octavio Carvajal, conductor de programas radiales en la emisora capitalina STC Noticias, denunció ante el Ministerio Público o Fiscalía del Estado, al subgerente de la estatal empresa telefónica Hondutel, Marcelo Chimirri, por agresiones físicas que sufrió cuando salía de su residencia en una colonia capitalina. Asimismo, anunció que abandonaría temporalmente el país el 11 de mayo de 2006 por temor a represalias.
La Comisión de Libertad de Prensa de la Asociación de Periodistas de Guatemala (APG) reclamó ante el ministerio Público por el fallo judicial que dejó libres a dos agentes de la Policía Nacional Civil que atacaron y coaccionaron a dos reporteros de "Nuestro Diario" durante el violento desalojo de campesinos efectuado el 31 de agosto de 2004 por las fuerzas de seguridad del gobierno en la finca "Nueva Linda", en el departamento de Retalhuleu.
En Costa Rica, la Cámara Constitucional del Tribunal Supremo de Justicia rechazó el 3 de mayo un recurso de inconstitucionalidad contra el artículo 7 de la Ley de Prensa, que establece penas de cárcel para delitos de "calumnia" e "injuria" cometidos a través de la prensa.
En Perú, el periodista Javier Poma Sotelo, director y conductor del espacio "ATV Noticias" y del programa "Impacto", comenzó a recibir amenazas de muerte el 2 de mayo a través de mensajes de texto a su teléfono móvil. Posteriormente fue agredido por el propietario de una discoteca y un grupo de futbolistas profesionales del Club Sport Ancash, de Huaraz, capital de la región Ancash, junto a sus colegas Luis Medina Villacorta, director y productor del informativo "ATV Noticias"; y Nilton Rodríguez Soto, director del programa "Contacto semanal" de Red Global y su asistente, César Giraldo.
En Mexico, el 2 de mayo de 2006, el juez 12º civil del Distrito Federal, Carlos Miguel Jiménez, ordenó a la periodista Olga Wornat y al semanario "Proceso" el pagó de 180.000 dólares por daño moral contra la esposa del presidente de México, Martha Sahagún.
En Chile, el 1 de mayo de 2006, los fotógrafos Santiago Llanquín, de la agencia de noticias Associated Press, y Danny Alveal, del diario "Las Últimas Noticias", resultaron heridos por desconocidos durante la cobertura de una marcha convocada por la Central Unitaria de Trabajadores (CUT) para conmemorar el Día del Trabajador en Santiago.
En Venezuela, el periodista Henry Crespo fue sentenciado a 18 meses de prisión en suspenso por "difamación penal", tras informar sobre corrupción gubernamental.
En Colombia, Daniel Muñoz, fotógrafo de la agencia internacional de prensa Reuters, fue agredido por un agente de la Policía en los disturbios acaecidos el 2 de mayo, durante un paro de transportes de la ciudad de Bogotá.
En Brasil, solicitaron a Luiz Inácio Lula da Silva su colaboración para esclarecer la muerte del periodista Manoel Leal de Oliveira, asesinado de seis balazos el 14 de enero de 1998.
En Colombia, el 17 de abril se lamentó la muerte del periodista de televisión Jairo Muñoz, de 42 años, quien murió cubriendo aludes en los que perdieron la vida casi 30 habitantes de la costa pacífica.
En Perú, el 5 de abril, la periodista Marilú Gambini, del programa "Confidencial" de canal 31 de televisión, abandonó el país con sus dos hijos menores de edad tras ser amenazada nuevamente de muerte el 28 de marzo y sin que las autoridades determinaran aún a los agresores. Gambini ha sido amenazada y golpeada repetidas veces debido a las investigaciones que realiza sobre el narcotráfico en Chimbote, al noroeste del país.
En Peru, el 3 de abril, la Sala Especializada en lo Penal de Coronel Portillo, Pucallpa, región Uyacalí, ordenó la detención del alcalde Luis Valdez Villacorta y del vocal Solio Ramírez Garay, presuntos autores intelectuales del asesinato del periodista Alberto Rivera Fernández, perpetrado en abril de 2004. Ambos inculpados están prófugos.
En México, más de cien diarios, a los que se suman varios periódicos en español del sur de EEUU, acordaron publicar simultáneamente el 3 de abril un reportaje sobre Jiménez Mota, periodista del "El Imparcial", de Hermosillo, Sonora, desaparecido desde el 2 de abril del 2005.
En Colombia, el 15 de marzo, fue secuestrada durante dos horas en el taxi en que se dirigía a su casa la periodista Elizabeth Vargas Pacheco, directora de la Asociación Democrática Para la Defensa de los Derechos Humanos (ASDEH). La periodista, ya intimidada en 2005, recibió nuevas amenazas de muerte, le notificaron que conocían su trabajo y le robaron dinero y su teléfono móvil. Hasta el momento, la policía sólo ha identificado la placa y el dueño del vehículo.
- Comisión Investigadora de Atentados a Periodistas (Ciap) de la Federación Latinoamericana de Periodistas (Felap): Presidente, Hernán Uribe (Chile), Secretario Ejecutivo, Ernesto Carmona (Chile), Director Ejecutivo, José Dos Santos (Cuba); Sub Director Ejecutivo, Antonio Calcáneo (México).
http://alainet.org/active/11908〈=es
Saturday, June 17, 2006
Evo Morales: "Mineros deben ser vanguardia del movimiento popular sobre la base de la unidad"
El presidente Evo Morales Ayma anunció hoy, al cumplirse el 66 aniversario de la fundación de la Federación Sindical de Trabajadores Mineros de Bolivia(FSTMB), físicamente destruida por la dictadura del narcogeneral García meza, que se refundará la COMIBOL y se recuperarán para el Estado las minas. Para alcanzar este objetivo, pidió unidad a las organizaciones mineras.
"No sólo vamos a refundar Comibol, sino tenemos la obligación de recuperar las minas para el pueblo y el Estado boliviano. No tengo ningún miedo y vamos a realizar esto de manera conjunta con ustedes..."- sostuvo el primer mandatario.
En el acto conmemorativo, que contó con la presencia del embajador de Cuba, Rafael Dausá, y dirigentes sindicales de otras organizaciones que se presentaron a saludar a la "gloriosa e histótica entidad" que contiene al proletariado minero, el compañero presidente Evo Morales pidió repotenciar y fortalecer a las organizaciones desde la FSTMB como "vanguardia del movimiento popular" para cambiar el país, y les recordó a los compañeros mineros que se constituyeron en el bastión de las luchas sociales a pesar de la vigencia del decreto 21060( de privatizaciones mineras) que aplicó "la mal llamada relocalización".
"El 21060 evidentemente ha debilitado al sector minero, pero no nos ha acabado y estamos presentes acá para cambiar Bolivia y ese es el objetivo de la fundación del sector minero. Debemos fortalecernos sindicalmente para identificar a los enemigos externos e internos"- enfatizó Evo.
También dijo que la lucha de los mineros se entroncaron con las del sector cocalero, que es "en gran parte producto de la mal llamada relocalización" del proletariado del subsuelo, y que éstos son aliados de su gobierno.
"Yo salgo de ustedes y estoy aquí para avanzar con el control de ustedes. Tenemos que unirnos para cumplir con esa tarea. Mejor todavía, tenemos la obligación de resolver los problemas y la FSTMB debe ser la vanguardia" sentenció el compañero presidente y representante de las Seis Federaciones de Productores de Coca del Chapare.
Criticó a la oligarquía cruceña en relación con la supuesta "autonomía" que reclama para apropiarse de la riqueza que le pertenece a todo el pueblo boliviano y pidió a dirigentes y ex dirigentes mineros explicar a sus bases los cambios que lleva adelante el país y las transformaciones que se darán con la Asamblea Constituyente a llevarse a cabo el próximo 2 de julio.
"No sólo vamos a refundar Comibol, sino tenemos la obligación de recuperar las minas para el pueblo y el Estado boliviano. No tengo ningún miedo y vamos a realizar esto de manera conjunta con ustedes..."- sostuvo el primer mandatario.
En el acto conmemorativo, que contó con la presencia del embajador de Cuba, Rafael Dausá, y dirigentes sindicales de otras organizaciones que se presentaron a saludar a la "gloriosa e histótica entidad" que contiene al proletariado minero, el compañero presidente Evo Morales pidió repotenciar y fortalecer a las organizaciones desde la FSTMB como "vanguardia del movimiento popular" para cambiar el país, y les recordó a los compañeros mineros que se constituyeron en el bastión de las luchas sociales a pesar de la vigencia del decreto 21060( de privatizaciones mineras) que aplicó "la mal llamada relocalización".
"El 21060 evidentemente ha debilitado al sector minero, pero no nos ha acabado y estamos presentes acá para cambiar Bolivia y ese es el objetivo de la fundación del sector minero. Debemos fortalecernos sindicalmente para identificar a los enemigos externos e internos"- enfatizó Evo.
También dijo que la lucha de los mineros se entroncaron con las del sector cocalero, que es "en gran parte producto de la mal llamada relocalización" del proletariado del subsuelo, y que éstos son aliados de su gobierno.
"Yo salgo de ustedes y estoy aquí para avanzar con el control de ustedes. Tenemos que unirnos para cumplir con esa tarea. Mejor todavía, tenemos la obligación de resolver los problemas y la FSTMB debe ser la vanguardia" sentenció el compañero presidente y representante de las Seis Federaciones de Productores de Coca del Chapare.
Criticó a la oligarquía cruceña en relación con la supuesta "autonomía" que reclama para apropiarse de la riqueza que le pertenece a todo el pueblo boliviano y pidió a dirigentes y ex dirigentes mineros explicar a sus bases los cambios que lleva adelante el país y las transformaciones que se darán con la Asamblea Constituyente a llevarse a cabo el próximo 2 de julio.
Respuesta de Cuba a nueva provocación de EE.UU.
Ayer, 12 de junio, un perro faldero y vocero rabioso del imperio y de la mafia terrorista de Miami, El Nuevo Herald, publicó un artículo titulado "Bajo asedio Sección de Intereses de EE.UU. en La Habana", en el cual acusan al gobierno cubano de cortar el suministro de electricidad y agua a esa Oficina, ante lo que califican de "profundización de una crisis diplomática", comenzada "desde que se puso el anuncio lumínico noticioso en la fachada de la sede de esa Sección".
Según el artículo, "la Sección de Intereses de Estados Unidos en La Habana habría dado instrucciones el viernes a su personal para comenzar a destruir todos los documentos que no fueran estrictamente necesarios", y agrega esta sospechosa conclusión: "las fuentes que brindaron la información a El Nuevo Herald valoraron la destrucción de documentos en las dependencias diplomáticas estadounidenses en La Habana como la antesala de una evacuación, o como mínimo, están preparándose de ser necesario".
De forma tendenciosa, el artículo de El Nuevo Herald incluyó una foto tomada durante alguna de las históricas Marchas del Pueblo Combatiente que han desfilado frente a la Oficina de Intereses, en la que aparece nuestro pueblo en las inmediaciones de esa Oficina reafirmando su rechazo a la política imperialista y genocida contra Cuba, con el objetivo de manipular la opinión del lector y hacerle creer que en estos momentos, y de forma permanente, la SINA está rodeada por nuestros compatriotas, cuando en realidad en sus inmediaciones impera absoluta normalidad y solo se encuentra allí el personal especializado encargado de la custodia de esa instalación.
El artículo concluye deslizando una frase que desnuda las verdaderas intenciones ocultas tras esta nueva maniobra: "ante el agravamiento de la situación en sus dependencias, la Sección de Intereses de Estados Unidos en La Habana podría verse obligada a suspender temporalmente sus actividades, algo que explicaría la medida de comenzar la destrucción de documentos importantes".
Unas horas más tarde, en prueba evidente de la participación del gobierno de los Estados Unidos en la orquestación y dirección de esta mentirosa campaña, el vocero del Departamento de Estado, Sean McCormack, insistió cínicamente en acusar a nuestro gobierno de hostigar a la SINA. McCormack, en pose de víctima, dijo que, a pesar de las supuestas dificultades con el suministro de electricidad y agua, la SINA continuó "haciendo su trabajo", incluyendo los esfuerzos por "acercarse al pueblo cubano", y aseguró impúdicamente que los presuntos problemas de la SINA podrían estar vinculados a sus actividades para "ofrecer información básica y datos al pueblo cubano".
Así, el mentiroso vocero le llamó "hacer su trabajo" a la creciente labor de espionaje y subversión que la SINA desarrolla en Cuba; se refirió como "esfuerzos por acercarse al pueblo cubano" a su padrinazgo, dirección y financiamiento generoso a los grupúsculos mercenarios que la SINA amamanta en Cuba, integrados por traidores y soplones que colaboran con la aplicación del brutal bloqueo que pretende rendir por hambre y enfermedades a nuestro pueblo; y en el colmo del descaro le llamó "ofrecer información básica y datos al pueblo cubano" al lanzamiento sistemático de las más groseras ofensas contra nuestro pueblo a través del panel electrónico que, violando las más elementales normas del Derecho Internacional, pretenden llevar a cabo impunemente en la fachada de esa guarida imperial.
Para tener una idea del tipo de "informaciones y datos" que la SINA ha estado divulgando a través de su panel electrónico, veamos sólo un ejemplo:
- Muchas cubanas decentes no pueden vivir como decentes sin hacer algo indecente. Si tú eres joven y guapa te rinde más beneficio: ¿Seguir una carrera o seguir a un gallego? (7 y 8 de abril).
En la tarde, el vocero de la Sección de Intereses de Estados Unidos en La Habana, Drew Blakeney, mintió descaradamente en una declaración a la prensa cuando afirmó que "el incremento por parte del régimen de tácticas abusivas para tratar con la Sección de Intereses y el pueblo de Cuba no es sorpresa para nadie: desde hace tiempo busca aislar y hostigar a la Sección de Intereses". Agregó además: "El lunes 5 de junio, a las 3 de la madrugada aproximadamente, le fue cortado el suministro de electricidad al edificio principal de la Sección de Intereses de los Estados Unidos en La Habana."
Mienten descaradamente El Nuevo Herald y los voceros del gobierno de los Estados Unidos cuando responsabilizan a nuestro gobierno con un supuesto corte del servicio eléctrico y la disminución del suministro de agua potable a la Oficina de Intereses.
Negamos categóricamente que hayan existido cortes premeditados de la energía eléctrica para entorpecer el funcionamiento de la Oficina de Intereses. Hubo en realidad múltiples averías en la Ciudad de La Habana y en todo el territorio nacional, una de ellas ocurrió en el circuito soterrado Vedado2, de 13 mil voltios, que alimenta directamente la Oficina de Intereses, y una de las dos vías que suministra el fluido eléctrico a la Tribuna Antimperialista, debido a la desfavorable situación meteorológica que ha sufrido el país durante las últimas dos semanas hasta la tarde de ayer lunes: en la reparación de esta avería se trabaja ya como en todas las demás. Pese a ello, como reconocen los voceros, la Oficina se ha mantenido en pleno funcionamiento, incluido su provocador panel electrónico que desde el 16 de enero, y durante casi cinco meses, ofende e insulta a nuestro pueblo, demostrando que a esa instalación no le ha faltado ni un Watt de electricidad.
De forma malintencionada, el gobierno de los Estados Unidos omite decir que cada vez que la SINA ha reportado tener dificultades con el abastecimiento de agua potable o con el suministro de electricidad en sus instalaciones, estas han sido debidamente atendidas por las empresas cubanas encargadas de brindar esos servicios.
La SINA consume como promedio un total de 26 mil kilowatts mensuales, tanto como toda la energía eléctrica que consumen alrededor de 200 familias promedio cubanas.
A pesar del reordenamiento que se ha venido llevando a cabo en la distribución del combustible en el país, la SINA ha recibido de la empresa CUBALSE un total de 53 756 litros de combustible en lo que va de año.
La empresa suministradora de agua a la capital, pese a las difíciles condiciones de sequía y dificultades en el abasto de agua potable a la Ciudad de La Habana que con anterioridad a las últimas lluvias afectaron a todo el territorio nacional, mantuvo de manera estable el suministro a la SINA.
Durante el mes de marzo de este año, en respuesta a un requerimiento de la SINA, la empresa abastecedora envió a sus técnicos al edificio principal y al anexo de la Oficina para revisar las redes de acueducto, internas y externas, y solucionar las dificultades que se presentaron.
Desde enero de 2006 hasta la fecha, se han realizado siete acciones de mantenimiento o reparaciones en los inmuebles en los que residen funcionarios de la SINA por parte de la empresa CUBALSE.
A pesar de que el 1ro. de febrero, la SINA expulsó groseramente de sus instalaciones a los trabajadores del contingente "Blas Roca Calderío" que se encontraban realizando labores constructivas en su edificio Anexo, la empresa CUBALSE le viene suministrando puntualmente a esa Oficina materiales para continuar las obras. Hasta el momento, la SINA ha recibido los 44 metros cúbicos de hormigón premezclado, 540 metros de cabilla y 300 metros de planchuela de acero que ha solicitado.
Esa Oficina cuenta hoy con 302 trabajadores cubanos contratados. En lo que va de año, nueve de esos trabajadores han viajado al exterior a solicitud de la misma, con el objetivo de recibir entrenamiento para el cumplimiento de sus funciones.
Los voceros norteamericanos también omiten decir lo más importante: que sólo durante el presente año se han aprobado de inmediato a la SINA 33 operaciones de devolución de emigrantes ilegales solicitadas, sin dilación ni excepción alguna, cuatro operaciones de repatriación de ciudadanos cubanos considerados por las autoridades norteamericanas como excluibles, y ocho visitas consulares a reclusos estadounidenses encarcelados en Cuba.
Las nuevas acusaciones contra el gobierno cubano forman parte del plan de la Administración yanqui denunciado por el compañero Fidel el 22 y el 24 de enero de 2006, al afirmar textualmente: "El gobierno de Estados Unidos, por presiones de la mafia cubano-americana, se propone entre sus primeros pasos violar abiertamente el Acuerdo Migratorio con Cuba (...), buscar pretextos para impedir a toda costa la venta de productos agrícolas a Cuba, que se viene realizando en volúmenes crecientes sin que nuestro país haya dejado de pagar puntualmente un solo centavo durante cinco años, algo que ese gobierno no creía posible en una nación agredida y bloqueada (...) e, inconforme con la decisión adoptada por el presidente Carter el 30 de mayo de 1977, se propone forzar una ruptura de los actuales vínculos diplomáticos mínimos con Cuba. Las groseras provocaciones que se vienen realizando desde su Oficina de Intereses en La Habana, no tienen ni pueden tener otro propósito".
Las últimas imputaciones contra Cuba tienen también como pérfido objetivo desviar la atención del verdadero problema, el carácter subversivo y provocador de las acciones de la SINA, que, en franca violación del estatus diplomático que le confieren los acuerdos y convenciones internacionales, ha devenido Estado Mayor de la contrarrevolución, a la cual dirige y abastece material y financieramente e incita a la subversión del orden interno en nuestro país.
Tal vez piensan que Cuba teme a las provocaciones constantes que urden contra nuestra Patria y a las consecuencias de una ruptura de los mínimos vínculos existentes, bastante deteriorados ya por la inmoral y cínica política que viene desarrollando la Administración de Bush.
Es al gobierno imperialista de los Estados Unidos al que corresponde explicar su demencial y reiterada práctica de urdir y aplicar nuevas y brutales medidas contra Cuba, y sus vanos intentos por doblegar la heroica resistencia de nuestro pueblo.
El gobierno norteamericano se hunde moral y materialmente en la guerra de conquista en Iraq, los escándalos de corrupción, los crecientes déficit presupuestarios y de cuenta corriente, los altos precios de la energía, la incapacidad para superar desastres naturales, el espionaje ilegal contra sus propios ciudadanos y la repugnante práctica de los arrestos clandestinos y las torturas a nivel internacional.
El Gobierno Revolucionario ha dado una lección de ecuanimidad, firmeza y estricto apego a las normas diplomáticas en el enfrentamiento a la actuación vulgar, despreciable de la SINA y de los mercenarios a su servicio en nuestro país.
¡Con nuestra moral y nuestros principios derrotaremos todas y cada una de sus criminales y cobardes campañas, provocaciones y agresiones!
Cuba lucha de frente y con armas limpias; no tiene por norma buscar pretextos para hostigar esa Oficina. Sabe decir que sí o que no a lo que solicitan los representantes del imperio. No busca subterfugios, ni corta cables eléctricos para apagar letreritos de basura. No hostiga a funcionarios o representantes de Estados Unidos. Los millones de personas que por allí han desfilado con honor y dignidad, incluidos niños y adolescentes, nunca lanzaron una sola piedra contra ese edificio. Cuba a lo largo de la historia de la Revolución ha luchado siempre con una moral que aplasta a sus adversarios. Si lo que busca el gobierno actual de Estados Unidos son pretextos para llevarse esa Oficina, cortar las ventas de alimentos a nuestro pueblo y liquidar el Acuerdo Migratorio, hágalo; no invente pretextos, ni pretenda eternizar sus groseras y cobardes provocaciones, que no partieron de Cuba, sino de esa Oficina, convertida en bastión, jefatura y banco de los mercenarios, centro de suministro de material subversivo introducido de contrabando en sus valijas diplomáticas. Cuba puede prescindir tranquilamente de la misma y de todo lo que de intervencionismo y ultraje significa. No derramaría una sola lágrima por su partida. No hace falta quemar papeles. No importa cuántas monstruosas fechorías encierren. Jamás nuestra Revolución asaltará o violará una sede diplomática. Nunca lo hizo y nunca lo hará.
Según el artículo, "la Sección de Intereses de Estados Unidos en La Habana habría dado instrucciones el viernes a su personal para comenzar a destruir todos los documentos que no fueran estrictamente necesarios", y agrega esta sospechosa conclusión: "las fuentes que brindaron la información a El Nuevo Herald valoraron la destrucción de documentos en las dependencias diplomáticas estadounidenses en La Habana como la antesala de una evacuación, o como mínimo, están preparándose de ser necesario".
De forma tendenciosa, el artículo de El Nuevo Herald incluyó una foto tomada durante alguna de las históricas Marchas del Pueblo Combatiente que han desfilado frente a la Oficina de Intereses, en la que aparece nuestro pueblo en las inmediaciones de esa Oficina reafirmando su rechazo a la política imperialista y genocida contra Cuba, con el objetivo de manipular la opinión del lector y hacerle creer que en estos momentos, y de forma permanente, la SINA está rodeada por nuestros compatriotas, cuando en realidad en sus inmediaciones impera absoluta normalidad y solo se encuentra allí el personal especializado encargado de la custodia de esa instalación.
El artículo concluye deslizando una frase que desnuda las verdaderas intenciones ocultas tras esta nueva maniobra: "ante el agravamiento de la situación en sus dependencias, la Sección de Intereses de Estados Unidos en La Habana podría verse obligada a suspender temporalmente sus actividades, algo que explicaría la medida de comenzar la destrucción de documentos importantes".
Unas horas más tarde, en prueba evidente de la participación del gobierno de los Estados Unidos en la orquestación y dirección de esta mentirosa campaña, el vocero del Departamento de Estado, Sean McCormack, insistió cínicamente en acusar a nuestro gobierno de hostigar a la SINA. McCormack, en pose de víctima, dijo que, a pesar de las supuestas dificultades con el suministro de electricidad y agua, la SINA continuó "haciendo su trabajo", incluyendo los esfuerzos por "acercarse al pueblo cubano", y aseguró impúdicamente que los presuntos problemas de la SINA podrían estar vinculados a sus actividades para "ofrecer información básica y datos al pueblo cubano".
Así, el mentiroso vocero le llamó "hacer su trabajo" a la creciente labor de espionaje y subversión que la SINA desarrolla en Cuba; se refirió como "esfuerzos por acercarse al pueblo cubano" a su padrinazgo, dirección y financiamiento generoso a los grupúsculos mercenarios que la SINA amamanta en Cuba, integrados por traidores y soplones que colaboran con la aplicación del brutal bloqueo que pretende rendir por hambre y enfermedades a nuestro pueblo; y en el colmo del descaro le llamó "ofrecer información básica y datos al pueblo cubano" al lanzamiento sistemático de las más groseras ofensas contra nuestro pueblo a través del panel electrónico que, violando las más elementales normas del Derecho Internacional, pretenden llevar a cabo impunemente en la fachada de esa guarida imperial.
Para tener una idea del tipo de "informaciones y datos" que la SINA ha estado divulgando a través de su panel electrónico, veamos sólo un ejemplo:
- Muchas cubanas decentes no pueden vivir como decentes sin hacer algo indecente. Si tú eres joven y guapa te rinde más beneficio: ¿Seguir una carrera o seguir a un gallego? (7 y 8 de abril).
En la tarde, el vocero de la Sección de Intereses de Estados Unidos en La Habana, Drew Blakeney, mintió descaradamente en una declaración a la prensa cuando afirmó que "el incremento por parte del régimen de tácticas abusivas para tratar con la Sección de Intereses y el pueblo de Cuba no es sorpresa para nadie: desde hace tiempo busca aislar y hostigar a la Sección de Intereses". Agregó además: "El lunes 5 de junio, a las 3 de la madrugada aproximadamente, le fue cortado el suministro de electricidad al edificio principal de la Sección de Intereses de los Estados Unidos en La Habana."
Mienten descaradamente El Nuevo Herald y los voceros del gobierno de los Estados Unidos cuando responsabilizan a nuestro gobierno con un supuesto corte del servicio eléctrico y la disminución del suministro de agua potable a la Oficina de Intereses.
Negamos categóricamente que hayan existido cortes premeditados de la energía eléctrica para entorpecer el funcionamiento de la Oficina de Intereses. Hubo en realidad múltiples averías en la Ciudad de La Habana y en todo el territorio nacional, una de ellas ocurrió en el circuito soterrado Vedado2, de 13 mil voltios, que alimenta directamente la Oficina de Intereses, y una de las dos vías que suministra el fluido eléctrico a la Tribuna Antimperialista, debido a la desfavorable situación meteorológica que ha sufrido el país durante las últimas dos semanas hasta la tarde de ayer lunes: en la reparación de esta avería se trabaja ya como en todas las demás. Pese a ello, como reconocen los voceros, la Oficina se ha mantenido en pleno funcionamiento, incluido su provocador panel electrónico que desde el 16 de enero, y durante casi cinco meses, ofende e insulta a nuestro pueblo, demostrando que a esa instalación no le ha faltado ni un Watt de electricidad.
De forma malintencionada, el gobierno de los Estados Unidos omite decir que cada vez que la SINA ha reportado tener dificultades con el abastecimiento de agua potable o con el suministro de electricidad en sus instalaciones, estas han sido debidamente atendidas por las empresas cubanas encargadas de brindar esos servicios.
La SINA consume como promedio un total de 26 mil kilowatts mensuales, tanto como toda la energía eléctrica que consumen alrededor de 200 familias promedio cubanas.
A pesar del reordenamiento que se ha venido llevando a cabo en la distribución del combustible en el país, la SINA ha recibido de la empresa CUBALSE un total de 53 756 litros de combustible en lo que va de año.
La empresa suministradora de agua a la capital, pese a las difíciles condiciones de sequía y dificultades en el abasto de agua potable a la Ciudad de La Habana que con anterioridad a las últimas lluvias afectaron a todo el territorio nacional, mantuvo de manera estable el suministro a la SINA.
Durante el mes de marzo de este año, en respuesta a un requerimiento de la SINA, la empresa abastecedora envió a sus técnicos al edificio principal y al anexo de la Oficina para revisar las redes de acueducto, internas y externas, y solucionar las dificultades que se presentaron.
Desde enero de 2006 hasta la fecha, se han realizado siete acciones de mantenimiento o reparaciones en los inmuebles en los que residen funcionarios de la SINA por parte de la empresa CUBALSE.
A pesar de que el 1ro. de febrero, la SINA expulsó groseramente de sus instalaciones a los trabajadores del contingente "Blas Roca Calderío" que se encontraban realizando labores constructivas en su edificio Anexo, la empresa CUBALSE le viene suministrando puntualmente a esa Oficina materiales para continuar las obras. Hasta el momento, la SINA ha recibido los 44 metros cúbicos de hormigón premezclado, 540 metros de cabilla y 300 metros de planchuela de acero que ha solicitado.
Esa Oficina cuenta hoy con 302 trabajadores cubanos contratados. En lo que va de año, nueve de esos trabajadores han viajado al exterior a solicitud de la misma, con el objetivo de recibir entrenamiento para el cumplimiento de sus funciones.
Los voceros norteamericanos también omiten decir lo más importante: que sólo durante el presente año se han aprobado de inmediato a la SINA 33 operaciones de devolución de emigrantes ilegales solicitadas, sin dilación ni excepción alguna, cuatro operaciones de repatriación de ciudadanos cubanos considerados por las autoridades norteamericanas como excluibles, y ocho visitas consulares a reclusos estadounidenses encarcelados en Cuba.
Las nuevas acusaciones contra el gobierno cubano forman parte del plan de la Administración yanqui denunciado por el compañero Fidel el 22 y el 24 de enero de 2006, al afirmar textualmente: "El gobierno de Estados Unidos, por presiones de la mafia cubano-americana, se propone entre sus primeros pasos violar abiertamente el Acuerdo Migratorio con Cuba (...), buscar pretextos para impedir a toda costa la venta de productos agrícolas a Cuba, que se viene realizando en volúmenes crecientes sin que nuestro país haya dejado de pagar puntualmente un solo centavo durante cinco años, algo que ese gobierno no creía posible en una nación agredida y bloqueada (...) e, inconforme con la decisión adoptada por el presidente Carter el 30 de mayo de 1977, se propone forzar una ruptura de los actuales vínculos diplomáticos mínimos con Cuba. Las groseras provocaciones que se vienen realizando desde su Oficina de Intereses en La Habana, no tienen ni pueden tener otro propósito".
Las últimas imputaciones contra Cuba tienen también como pérfido objetivo desviar la atención del verdadero problema, el carácter subversivo y provocador de las acciones de la SINA, que, en franca violación del estatus diplomático que le confieren los acuerdos y convenciones internacionales, ha devenido Estado Mayor de la contrarrevolución, a la cual dirige y abastece material y financieramente e incita a la subversión del orden interno en nuestro país.
Tal vez piensan que Cuba teme a las provocaciones constantes que urden contra nuestra Patria y a las consecuencias de una ruptura de los mínimos vínculos existentes, bastante deteriorados ya por la inmoral y cínica política que viene desarrollando la Administración de Bush.
Es al gobierno imperialista de los Estados Unidos al que corresponde explicar su demencial y reiterada práctica de urdir y aplicar nuevas y brutales medidas contra Cuba, y sus vanos intentos por doblegar la heroica resistencia de nuestro pueblo.
El gobierno norteamericano se hunde moral y materialmente en la guerra de conquista en Iraq, los escándalos de corrupción, los crecientes déficit presupuestarios y de cuenta corriente, los altos precios de la energía, la incapacidad para superar desastres naturales, el espionaje ilegal contra sus propios ciudadanos y la repugnante práctica de los arrestos clandestinos y las torturas a nivel internacional.
El Gobierno Revolucionario ha dado una lección de ecuanimidad, firmeza y estricto apego a las normas diplomáticas en el enfrentamiento a la actuación vulgar, despreciable de la SINA y de los mercenarios a su servicio en nuestro país.
¡Con nuestra moral y nuestros principios derrotaremos todas y cada una de sus criminales y cobardes campañas, provocaciones y agresiones!
Cuba lucha de frente y con armas limpias; no tiene por norma buscar pretextos para hostigar esa Oficina. Sabe decir que sí o que no a lo que solicitan los representantes del imperio. No busca subterfugios, ni corta cables eléctricos para apagar letreritos de basura. No hostiga a funcionarios o representantes de Estados Unidos. Los millones de personas que por allí han desfilado con honor y dignidad, incluidos niños y adolescentes, nunca lanzaron una sola piedra contra ese edificio. Cuba a lo largo de la historia de la Revolución ha luchado siempre con una moral que aplasta a sus adversarios. Si lo que busca el gobierno actual de Estados Unidos son pretextos para llevarse esa Oficina, cortar las ventas de alimentos a nuestro pueblo y liquidar el Acuerdo Migratorio, hágalo; no invente pretextos, ni pretenda eternizar sus groseras y cobardes provocaciones, que no partieron de Cuba, sino de esa Oficina, convertida en bastión, jefatura y banco de los mercenarios, centro de suministro de material subversivo introducido de contrabando en sus valijas diplomáticas. Cuba puede prescindir tranquilamente de la misma y de todo lo que de intervencionismo y ultraje significa. No derramaría una sola lágrima por su partida. No hace falta quemar papeles. No importa cuántas monstruosas fechorías encierren. Jamás nuestra Revolución asaltará o violará una sede diplomática. Nunca lo hizo y nunca lo hará.
La ejecución sumaria de al-Zarqaui y su papel real en Iraq
Al Qaeda profundizará la campaña de violencia sectaria alentada por la ocupación
La ejecución sumaria de al-Zarqaui y su papel real en Iraq
Pedro Rojo
IraqSolidaridad
La ejecución sumaria de al-Zarqaui y su papel real en Iraq
Pedro Rojo
IraqSolidaridad
La forma en la que ha sido eliminado Abu Musaab al-Zarqaui dice mucho de la situación y de los métodos de actuación de los ocupantes y de su gobierno iraquí tutelado. La opción del asesinato selectivo, en lugar de la detención y posterior juicio del "terrorista más buscado de Iraq", da cuenta de la situación de guerra despiadada que vive este país, no del "desarrollo de un proceso democrático", como reiteran unos y otros. Lo lógico en esa sociedad democrática y fiel al Derecho que nos intentan vender, que es este Iraq bajo ocupación, sería haber rodeado la casa donde se encontraba el sospechoso junto con otras siete personas, incluidas dos mujeres -de las que, por cierto, ningún medio de comunicación parece ocuparse, pues al parecer no se merecen ni el calificativo de "daño colateral" habida cuenta de que si compartían casa con el terrorista más buscado se merecían la misma ejecución sumaria [1]. Pero parece que Washington no quería repetir la experiencia del juicio de Sadam Huseín, que no está discurriendo por el sendereo que la ocupación esperaba, sino que se ha convertido en un escaparate para que el antiguo presidente siga estando presente en la realidad iraquí, garantizándose regularmente unos minutos en todas las cadenas árabes e iraquíes.
Hay articulistas que parece haber olvidado estos mismos principios de libertad y de estado de Derecho que defendían cuando llegaron los carros de combate estadounidenses:
"Una vez más, la historia ha dictado una sentencia justa contra quien ha infringido sus leyes." [2].
Espeluzna observar cómo estas plumas árabes al servicio de la criminal política estadounidense en Oriente Medio pueden tener una memoria tan corta y olvidarse de cómo la "Justicia de la Historia" y los cazas dictan sentencias erradas una y otra vez contra una aldea de Pakistán, una ciudad iraquí o una playa de Gaza.
Ascensión y caída de al-Zarqaui
La trayectoria de al-Zarqaui dentro del islamismo radical empieza en Afganistán, pero no bajo las órdenes de Ben Laden. Cuando fue liberado en Jordania, en el año 1999, por una amnistía del rey Abdalá de Jordania tras cumplir cuatro años en prisión por haber intentado atacar intereses estadounidenses e israelíes, volvió a Afganistán. Allí mantuvo una serie de diferencias con Osama Ben Laden y su lugarteniente al-Zawahiri que le llevarían a negarse a presentar la beia, o acto de vasallaje, al líder de Al Qaeda prefiriendo someterse a la autoridad del Mulá Omar, líder de los talibanes. A través de la intermediación del egipcio Seif al-Adal, miembro del Consejo de Seguridad de Al Qaeda, logró que le enviasen a Herat, en la frontera iraní, donde se había creado un campamento de Yund al-Sham (El Ejército del Sham) que, dependiendo de las fuentes, llegó a dirigir él mismo.
Derrocado el régimen talibán tras la invasión estadounidense de Afganistán, al-Zarqaui cruza a Irán con un grupo de árabes para después entrar a Iraq a través del Kurdistán. De este primer grupo, dirigido por al-Zarqaui, que se haría llamar Ansar al-Sunna, no se conoce presencia fuera del Kurdistán iraquí hasta agosto de 2003, unos meses después de la caída de Bagdad, lo cual invalida los intentos de algunos medios y dirigentes estadounidenses de ligar a este personaje con el régimen de Sadam Huseín. La realidad es más bien la contraria: es el colapso del Estado iraquí posterior a la invasión el que crea el caos adecuado para que un grupo sin apoyo ni estructura previa local se infiltre en el centro de Iraq.
Las primeras acciones contra la ocupación del grupo de al-Zarqaui llevaban la firma del grupo Monoteísmo y Yihad, lo que indica su desvinculación inicial con Al Qaeda, que no contaba con ninguna infraestructura en Iraq. Esta falta de infraestructura y de capacidad para introducirse en Iraq lleva a los dos máximos líderes de Al Qaeda, a pesar de sus discrepancias [3], a aceptar a al-Zarqaui como su representante en Iraq, sobre todo tras el anuncio de éste de la creación de un emirato, a imagen y semejanza del talibán, en el oeste de Iraq. Al-Zarqaui también aparcó sus diferencias con Ben Laden tras la amenaza de su lugarteniente de nombrar a Abderrahmán al-Iraqui número uno de Al Qaeda en Iraq [4].
El resultado fue la reaparición de Al Qaeda en el campo de batalla más importante del momento para el mundo árabe e islámico justo cuando andaba escondiéndose por las montañas de Afganistán y Pakistán. Los ocupantes de Iraq y su destrucción del Estado iraquí dieron una oportunidad de oro a Al Qaeda para entrar en Iraq y utilizar esta lucha, como han utilizado otras causas, para ganar prestigio y reclutar adeptos en una capa muy concreta del extremismo islámico. Hay informaciones que hablan de que en el momento álgido de Al Qaeda en Iraq se usaba el territorio iraquí para entrenar a sus seguidores para luego enviarlos a distintos lugares del mundo a realizar la yihad por cuenta de Ben Laden [5].
Pero lejos de lograr la instauración del ansiado emirato, la situación del grupo de al-Zarqaui ha ido empeorando a medida que se ha ido desarrollando la lucha contra la ocupación. Su deseada trasformación de un pequeño grupúsculo, que había llegado a Iraq para luchar contra los estadounidenses -probablemente financiados y armados en un principio por Irán-, en el referente árabe e islámico de la lucha contra la ocupación imperialista nunca sucedió. En el momento de mayor popularidad, la presencia de combatientes árabes en Iraq nunca se ha cifrado en más de unos pocos miles, de los cuales solo un puñado estaría bajo mando de al-Zarqaui. El desplazamiento del objetivo de este grupo desde los militares ocupantes a la propia población civil iraquí (principalmente, su comunidad chií) y los secuestros de trabajadores occidentales fue aislándolo de las formaciones armadas de la legítima resistencia, centradas en los ataques contra el ocupante. Al principio, los grupos de la resistencia se limitaron a señalar la diferencia con las acciones de los llamados grupos takfiristas o anatematizadores [6] mediante de comunicados públicos. Independientemente de si todos los grupos de esta corriente radical integristas estaban o no bajo las órdenes de al-Zarqaui, sus acciones son insignificantes, cuantitativamente, si se comparan con las del resto de la resistencia [7], pero mediáticamente sí han tenido una gran cobertura. Por un lado, por el gran número de víctimas, especialmente entre la población civil y, por otro lado, con la clara intención de mezclar toda acción armada en Iraq y no diferenciar entre la resistencia legítima, que ataca objetivos militares, y estos grupos dispuestos a "limpiar la sociedad de herejes".
Al-Zarqaui después de hacer un llamamiento a los sunníes para que le secundasen en su guerra contra los infieles chiíes, lo que fue enérgicamente rechazado, empezó a asesinar también a importantes referentes religiosos sunníes [8]. Todo este cúmulo de circunstancias, incluyendo el daño que a la imagen de la resistencia hacía al-Zarqaui, llevó a los grupos de la resistencia y a los sheijs de las tribus de las zonas donde se asentaba a declararle la guerra, llegando a enfrentamientos armados en ciudades como en Faluya y en la misma Baquba, donde se había refugiado y donde fue, finalmente, muerto [9].
Forzado por las dificultades que afrontaba por su incapacidad de reclutar a más seguidores dentro de Iraq, el mayor control de la frontera siria y el consecuente descenso en la llegada de refuerzos del exterior-, la falta de apoyo entre la población local y el presunto abandono del apoyo de Irán [10], al-Zarqaui decide intentar concentrar sus ataques en la ciudad de Bagdad y batallar allí su guerra contra el chiísmo [11], convirtiendo la capital iraquí en un infierno mayor, si cabe, del ya creado por los ocupantes: esta guerra ,cuyo objetivo son los mismos bagdadíes, tiene en el otro bando a los Escuadrones de la muerte de las milicias chiíes, que buscan convertir Bagdad en una ciudad de población mayoritariamente chií [12].
Al Qaeda en Iraq sin al-Zarqaui
A pesar de que se ha difundido un comunicado de Al Qaeda -recogido íntegramente por la prensa árabe- en el que se asegura que el sucesor de al-Zarqaui es Abderrahmán al-Iraqui, fuentes integristas en Londres han asegurado a al-Sharq al-Awsat [13] que el sucesor definitivo será bendecido por Ben Laden en un futuro mensaje grabado. De hecho, el lunes, 12 la cadena al-Jazeera daba cuenta de un nuevo comunicado de Al Qaeda en el que se afirmaba que el sucesor de al-Zarqaui no sería el mencionado al-Iraqui, sino Abu Hamza al-Muhayir.
La evolución futura y la designación del dirigente que debe liderar Al Qaeda dependen de lo que decida la cúpula de la organización en Afganistán. Pero según escribe Abdel Bari Atuán en al-Quds al-Arabi, es posible un cambio de estrategia que permita a la organización integrista recuperar su reconocimiento dentro de las capas más extremistas de la sociedad islámica iraquí, perdido por la campaña de asesinatos indiscriminados contra la población civil cometidos por al-Zarqaui:
"Quizá la organización Al Qaeda abra una nueva página en su labor militar en Iraq tras la muerte de al-Zarqaui, concentrándose en acciones militares que tengan como objetivo las tropas estadounidense y los miembros de la seguridad iraquí. Puede que incluso se replanteen el lanzar coches bombas para matar a iraquíes chiíes, ya que la cúpula no quiere abrir una guerra con Irán que ha dado cobijo a varios miembros de la red tras la invasión estadounidense de Afganistán." [14]
Pero la opción más apuntada es el continuismo y la profundización de la campaña de violencia sectaria con la que Al Qaeda está intentando fracturar confesionalmente el país siguiendo la pauta de división sectaria que han marcado y alentado, desde el principio, las autoridades de ocupación. De ser así, el futuro es oscuro para Iraq porque, a pesar de que la importancia numérica sea ínfima, es relativamente sencillo seguir poniendo bombas en lugares públicos, mientras las milicias chiíes hacen lo propio en los barrios sunníes.
El nombramiento, finalmente, de los ministerios de Interior y Defensa [15] no va a mejorar el panorama de seguridad, ni se van a controlar las acciones de las milicias ni de los grupos takfiristas. La promesa del primer ministro iraquí al-Maliki de disolver todas las milicias es tan irreal como débil es su puesto al frente de un gobierno en el que su partido -Dawa- es minoritario dentro de la coalición chií, Alianza Unida Iraquí, que lo sustenta [16]. Las milicias que pretende desmantelar están comandadas por los mismos partidos que han colocado a al-Maliki al frente del gobierno: las Brigadas Badr (del Consejo Supremo de la Revolución Islámica de Iraq), el Ejército del Mehdi (de la Corriente as-Sáder) y los peshmergas kurdos.
La única salida para acabar con la presencia de estos grupos es terminar con la situación que les ha permitido entrar en Iraq: la ocupación. Una salida de las tropas extranjeras y la formación de un verdadero gobierno de unidad nacional que cuente con el apoyo de la resistencia armada, acompañado de unas verdaderas fuerzas de seguridad compuestas por antiguos miembros de las mismas y lejos de la infiltración de las milicias partidistas, pueden hacer recuperar la estabilidad a Iraq y alejar la división étnica y confesional impuesta por la ocupación como método para desarticular a este país como posible potencia regional.
Notas del autor y de IraqSolidaridad:
1. Algunos medios árabes hablan de que podría tratarse de alguna de las tres mujeres de al-Zarqaui: al-Sharq al-Awsat, 9 de junio de 2006. Traducido en Boletín de Prensa Árabe: Según asegura az-Zamán en su edición del día 13 de junio, citando a fuentes de los servicios secretos jordanos, la mujer de Zarqaui originaria de Faluya, Isrá Yasín Yarad y el hijo de ambos, de 18 meses, murieron en el bombardeo estadounidense que causó la muerte de al-Zarqaui. 2. Abdeljáleq Huseín, Elaf, 9 de junio de 2006. Traducido en Boletín de Prensa Árabe. 3. Al-Zawahiri mandó una carta a al-Zarqaui en la que criticaba los asesinatos de rehenes ante las cámaras, el envío de coches bombas a las celebraciones chiíes, aglomeraciones y mercados chiíes en Bagdad, Nayaf y Kerbalá. 4. Pasa de denominarse Al Tauhid wal Yihad (Monoteísmo y Yihad) a Tandim Qaeda Al-Yihad fi Bilad al-Rafidain (Organización Al Qaeda de la Yihad en Mesopotamia) tras la confirmación de Ben Laden en un mensaje sonoro. 5. "Según un responsable en los Servicios de inteligencia jordana, 300 reclutas entrenados por al-Zarqaui volvieron a sus países", az-Zamán, 12 de junio de 2006. Traducido en Boletín de Prensa Árabe. 6. Por exigencia de al-Zawahiri, al-Zarqaui forma el Consejo Consultivo de los Muyahidines (véase en IraqSolidaridad: Carlos Varea: La negociación entre EEUU y la resistencia iraquí), donde se agrupa una serie de organizaciones desconocidas hasta hace unos meses. Al-Zarqaui es obligado a nombrar a Abderrahmán al-Iraqui como jefe de la rama política en una muestra del descontento de la dirección de Al Qaeda con su labor y de la creciente debilidad del poder de al-Zarqaui en la organización. Véase en IraqSolidaridad: Pedro Rojo: Cruce de declaraciones entre al-Zarqaui, los ocupantes y la resistencia 7. Véase en IraqSolidaridad: Carlos Varea: Iraq, tras la muerte de al-Zarqaui 8. Véase en IraqSolidaridad: Al Qaeda asesina al alcalde de Faluya, el 'sheij' al-Nazar al-Duleimi. La resistencia crea una organización unificada en al-Anbar para hacer frente a la red de al-Zarqaui 9. Véase en IraqSolidaridad: Carlos Varea: Enfrentamientos entre la resistencia y Al Qaeda en Iraq 10. Irán ha declarado públicamente su "satisfacción" por la muerte de al-Zarqaui. 11. Véase en IraqSolidaridad: Pedro Rojo: Cruce de declaraciones entre al-Zarqaui, los ocupantes y la resistencia 12. Véase en IraqSolidaridad: Andrew Buncombe y Patrick Cockburn: Miles de personas han sido asesinadas en los últimos meses por los 'Escuadrones de la muerte' - Carlos Varea: El pueblo iraquí considera mayoritariamente que la ocupación empeora la situación y Mahan Abedin: Badr, Irán y los nuevos cuerpos de seguridad iraquíes 13. Al-Sharq al-Awsat, 9 de junio de 2006. Traducido en Boletín de Prensa Árabe. 14. Al-Quds al-Arabi, 9 de junio de 2006. Traducido en Boletín de Prensa Árabe. 15. La cartera de Interior ha sido otorgada al chií Jawad al-Bulani; la de Defensa, al general Abd al-Qadir Jasim al-Ubaidi, un sunní, pero criticado por haber participado con las fuerzas estadounidenses en los brutales operativos militares en la provincia de al-Anbar, en concreto contra Faluya. 16. Véase en IraqSolidaridad: Nueva vuelta de tuerca en el afianzamiento del sectarismo en el país: Al-Maliki, nuevo primer ministro de Iraq y Carlos Varea: Nuevo gobierno en Iraq: inestable reparto sectario - La lista del nuevo gobierno.
www.irasolidaridad.org.
YO SI PUEDO - Dos millones de alfabetizados con el método cubano
La Habana, 13 de Junio de 2006
YO SI PUEDO - Dos millones de alfabetizados con el método cubano
POR NAVIL GARCIA ALFONSO —de Granma Internacional—
VARIAS jornadas de discusión sobre las políticas de alfabetización en el mundo arrojaron una conclusión categórica con respecto al analfabetismo: No se puede esperar a que el número de iletrados del planeta continúe creciendo sin que los gobiernos tomen medidas certeras.
Así trascendió en el seminario internacional sobre políticas y programas de alfabetización y post-alfabetización que se desarrolló en La Habana.
La contradicción fundamental radica en que las metas del milenio en materia de educación propuestas por la UNESCO no se van a cumplir y peor aún, el organismo internacional “no puede hacer nada y son los gobiernos a los que ella representa los que deben tomar la iniciativa de eliminar el analfabetismo”, según expresó María Luisa Jáuregui, especialista regional en alfabetización y educación de jóvenes y adultos, de la oficina de la UNESCO para América Latina y el Caribe.
Ante la abrumadora cantidad de analfabetos existentes, el secretario general de la ONU, Kofi Annan, proclamó el decenio para la alfabetización, comprendido en el período del 2003 al 2012, bajo la supervisión de la UNESCO, con el firme propósito de reducir al 50% los índices de analfabetismo para el año 2015.
Sin embargo, según estimados de la UNESCO, ofrecidos por el director de su oficina en La Habana, doctor Herman van Hoof, habrá alrededor de 765 millones de iletrados, cifra muy cercana a la del 2004, que era de 771 millones. El 63% de los analfabetos que quedarán en el 2015 serán mujeres y la mayor parte de ellos en países del Tercer Mundo.
Las autoridades gubernamentales y educativas que se reunieron en La Habana coinciden en que la lucha contra el analfabetismo debe ser frontal, pero no como se plantea por los organismos internacionales con acciones para reducir el flagelo en períodos de tiempo que pueden ser alargados. De esa forma nunca se terminaría. Lo que se propone es la aplicación de programas específicos para erradicar lo más pronto posible el analfabetismo.
YO SI PUEDO EN MAS DE QUINCE PAISES
En más de 15 países de todo el mundo se emplea el método cubano de alfabetización Yo, sí puedo, que hasta el momento ha permitido alfabetizar a unos dos millones de personas. En países como México, Ecuador y Colombia se aplica en varios estados o municipios, adaptado a las condiciones multilingües y a las características especiales de las comunidades, generalmente rurales e indígenas.
“Con el Yo, sí puedo se consigue alfabetizar a una persona en sólo 7 semanas. Además no requiere de maestros porque se apoya en el uso de la televisión y es muy económico. Con menos de la tercera parte del presupuesto que se necesita —según la UNESCO 160 dólares per cápita— se puede culminar un proceso satisfactorio de alfabetización”, declaró Luis Ignacio Gómez, ministro cubano de Educación.
El propio método prevé la continuidad de estudios, uno de los elementos que la agencia internacional de la ONU reconoce entre los principales problemas, agregó Gómez.
No obstante los esfuerzos hechos por Cuba para ayudar a erradicar el analfabetismo —dice Claudia Camba, presidenta de la fundación Un Mundo Mejor es Posible—, la UNESCO no reconoce al programa Yo, sí puedo entre los métodos más eficaces para enseñar a leer y escribir. “Ni siquiera está incluido en la lista de los programas existentes en todo el mundo”.
“Resulta contradictorio que la UNESCO esté planteando la reducción del analfabetismo en un plazo de tiempo que todos sabemos que no se va a cumplir, y a la vez no quiere reconocer un proyecto cubano que ya permitió que un país como Venezuela se declarara libre de analfabetismo”, dijo Claudia Camba.
“En 1990 se realizó la reunión de Educación Para Todos, en Tailandia. Los 155 países que allí se encontraban decidieron que para el año 2000 tendrían a todos los niños escolarizados en primaria e iban a reducir a la mitad el analfabetismo. En el año 2000 se volvieron a reunir y había 130 millones de niños fuera de los sistemas educativos y 880 millones de analfabetos”, agregó.
Venezuela incorporó a todos los niños a la educación y tiene más del 50% de la población adulta estudiando y de eso no se habla. “Se trata de un problema político que se explica con la reactivación de Estados Unidos como miembro de la UNESCO, luego de pagar una deuda, y la designación de la señora Laura Bush, esposa del Presidente norteamericano, como embajadora del Decenio para la Alfabetización”.
“En septiembre se va a desarrollar en Estados Unidos un seminario internacional de alfabetización, auspiciado, organizado y presidido por la Primera Dama. Dicen que van a hacer un plan global de alfabetización que se financiará con miles de millones de dólares, bajo la hegemonía de Estados Unidos y evidentemente ésa es la razón de que el Yo, sí puedo no sea uno de los programas recomendados por la UNESCO”.
La Presidenta de la fundación Un Mundo Mejor es Posible es también coordinadora del Frente Internacional de Apoyo al programa Yo, sí puedo, que agrupa a todos los países en los que se aplica el método cubano. El Frente propone que la UNESCO tome el programa como método global del Decenio de las Naciones Unidas para la Alfabetización ya que es accesible económicamente, didácticamente flexible, efectivo, sencillo y con resultados positivos a corto plazo.
“Lo que sí está claro es que la posición de la UNESCO no puede seguir así, de no comprometerse. Está favoreciendo al capitalismo. Ya los movimientos sociales están presionando a los gobiernos y la UNESCO tiene que utilizar su estructura y herramientas internacionales para comprometer a los gobernantes en el desarrollo de verdaderas políticas de alfabetización”, concluyó Claudia Camba.
YO SI PUEDO - Dos millones de alfabetizados con el método cubano
POR NAVIL GARCIA ALFONSO —de Granma Internacional—
VARIAS jornadas de discusión sobre las políticas de alfabetización en el mundo arrojaron una conclusión categórica con respecto al analfabetismo: No se puede esperar a que el número de iletrados del planeta continúe creciendo sin que los gobiernos tomen medidas certeras.
Así trascendió en el seminario internacional sobre políticas y programas de alfabetización y post-alfabetización que se desarrolló en La Habana.
La contradicción fundamental radica en que las metas del milenio en materia de educación propuestas por la UNESCO no se van a cumplir y peor aún, el organismo internacional “no puede hacer nada y son los gobiernos a los que ella representa los que deben tomar la iniciativa de eliminar el analfabetismo”, según expresó María Luisa Jáuregui, especialista regional en alfabetización y educación de jóvenes y adultos, de la oficina de la UNESCO para América Latina y el Caribe.
Ante la abrumadora cantidad de analfabetos existentes, el secretario general de la ONU, Kofi Annan, proclamó el decenio para la alfabetización, comprendido en el período del 2003 al 2012, bajo la supervisión de la UNESCO, con el firme propósito de reducir al 50% los índices de analfabetismo para el año 2015.
Sin embargo, según estimados de la UNESCO, ofrecidos por el director de su oficina en La Habana, doctor Herman van Hoof, habrá alrededor de 765 millones de iletrados, cifra muy cercana a la del 2004, que era de 771 millones. El 63% de los analfabetos que quedarán en el 2015 serán mujeres y la mayor parte de ellos en países del Tercer Mundo.
Las autoridades gubernamentales y educativas que se reunieron en La Habana coinciden en que la lucha contra el analfabetismo debe ser frontal, pero no como se plantea por los organismos internacionales con acciones para reducir el flagelo en períodos de tiempo que pueden ser alargados. De esa forma nunca se terminaría. Lo que se propone es la aplicación de programas específicos para erradicar lo más pronto posible el analfabetismo.
YO SI PUEDO EN MAS DE QUINCE PAISES
En más de 15 países de todo el mundo se emplea el método cubano de alfabetización Yo, sí puedo, que hasta el momento ha permitido alfabetizar a unos dos millones de personas. En países como México, Ecuador y Colombia se aplica en varios estados o municipios, adaptado a las condiciones multilingües y a las características especiales de las comunidades, generalmente rurales e indígenas.
“Con el Yo, sí puedo se consigue alfabetizar a una persona en sólo 7 semanas. Además no requiere de maestros porque se apoya en el uso de la televisión y es muy económico. Con menos de la tercera parte del presupuesto que se necesita —según la UNESCO 160 dólares per cápita— se puede culminar un proceso satisfactorio de alfabetización”, declaró Luis Ignacio Gómez, ministro cubano de Educación.
El propio método prevé la continuidad de estudios, uno de los elementos que la agencia internacional de la ONU reconoce entre los principales problemas, agregó Gómez.
No obstante los esfuerzos hechos por Cuba para ayudar a erradicar el analfabetismo —dice Claudia Camba, presidenta de la fundación Un Mundo Mejor es Posible—, la UNESCO no reconoce al programa Yo, sí puedo entre los métodos más eficaces para enseñar a leer y escribir. “Ni siquiera está incluido en la lista de los programas existentes en todo el mundo”.
“Resulta contradictorio que la UNESCO esté planteando la reducción del analfabetismo en un plazo de tiempo que todos sabemos que no se va a cumplir, y a la vez no quiere reconocer un proyecto cubano que ya permitió que un país como Venezuela se declarara libre de analfabetismo”, dijo Claudia Camba.
“En 1990 se realizó la reunión de Educación Para Todos, en Tailandia. Los 155 países que allí se encontraban decidieron que para el año 2000 tendrían a todos los niños escolarizados en primaria e iban a reducir a la mitad el analfabetismo. En el año 2000 se volvieron a reunir y había 130 millones de niños fuera de los sistemas educativos y 880 millones de analfabetos”, agregó.
Venezuela incorporó a todos los niños a la educación y tiene más del 50% de la población adulta estudiando y de eso no se habla. “Se trata de un problema político que se explica con la reactivación de Estados Unidos como miembro de la UNESCO, luego de pagar una deuda, y la designación de la señora Laura Bush, esposa del Presidente norteamericano, como embajadora del Decenio para la Alfabetización”.
“En septiembre se va a desarrollar en Estados Unidos un seminario internacional de alfabetización, auspiciado, organizado y presidido por la Primera Dama. Dicen que van a hacer un plan global de alfabetización que se financiará con miles de millones de dólares, bajo la hegemonía de Estados Unidos y evidentemente ésa es la razón de que el Yo, sí puedo no sea uno de los programas recomendados por la UNESCO”.
La Presidenta de la fundación Un Mundo Mejor es Posible es también coordinadora del Frente Internacional de Apoyo al programa Yo, sí puedo, que agrupa a todos los países en los que se aplica el método cubano. El Frente propone que la UNESCO tome el programa como método global del Decenio de las Naciones Unidas para la Alfabetización ya que es accesible económicamente, didácticamente flexible, efectivo, sencillo y con resultados positivos a corto plazo.
“Lo que sí está claro es que la posición de la UNESCO no puede seguir así, de no comprometerse. Está favoreciendo al capitalismo. Ya los movimientos sociales están presionando a los gobiernos y la UNESCO tiene que utilizar su estructura y herramientas internacionales para comprometer a los gobernantes en el desarrollo de verdaderas políticas de alfabetización”, concluyó Claudia Camba.
Evo Morales rendirá homenaje a Che Guevara en Bolivia
LA PAZ (PL).— El presidente boliviano, Evo Morales, asistirá el miércoles a un acto en la localidad de La Higuera, en homenaje al guerrillero argentino-cubano Ernesto Che Guevara (1928-1967), en el 78 aniversario de su natalicio.
Fuentes cercanas a la Presidencia de la República informaron que el tributo consistirá en la graduación de los 17 primeros alfabetizados de esa aldea enclavada en montañas del sur del país.
El acto se realizará en el pequeño pueblo donde fue asesinado Che Guevara en 1967 en coincidencia con la campaña nacional de alfabetización bajo el método "Yo sí puedo", con asesoramiento y equipamiento cubano.
También como homenaje a Che Guevara, el presidente Morales inaugurará un centro médico en la propia localidad, equipado por Cuba.
Otro de esos centros será abierto por el mandatario el mismo miércoles en la ciudad de Vallegrande, donde los restos de Che Guevara permanecieron enterrados ocultos hasta 1997, cuando fueron exhumados por una misión científica cubana y repatriados a la Isla.
Al inaugurar este domingo con Morales dos de los citados hospitales en las localidades andinas de Caracollo y Llallagua, el embajador de la Isla en Bolivia, Rafael Dausá, destacó la trascendencia del homenaje al revolucionario latinoamericano.
Fuentes cercanas a la Presidencia de la República informaron que el tributo consistirá en la graduación de los 17 primeros alfabetizados de esa aldea enclavada en montañas del sur del país.
El acto se realizará en el pequeño pueblo donde fue asesinado Che Guevara en 1967 en coincidencia con la campaña nacional de alfabetización bajo el método "Yo sí puedo", con asesoramiento y equipamiento cubano.
También como homenaje a Che Guevara, el presidente Morales inaugurará un centro médico en la propia localidad, equipado por Cuba.
Otro de esos centros será abierto por el mandatario el mismo miércoles en la ciudad de Vallegrande, donde los restos de Che Guevara permanecieron enterrados ocultos hasta 1997, cuando fueron exhumados por una misión científica cubana y repatriados a la Isla.
Al inaugurar este domingo con Morales dos de los citados hospitales en las localidades andinas de Caracollo y Llallagua, el embajador de la Isla en Bolivia, Rafael Dausá, destacó la trascendencia del homenaje al revolucionario latinoamericano.
Mexico: Oaxaca está paralizada - Reprime gobierno a maestros
Por instrucciones del Gobernador del Estado, Ulises Ruiz, un poco antes de las cuatro de la mañana del 14 de junio, la policía estatal, entrando por la calle 20 de noviembre de la ciudad de Oaxaca, empezó a lanzar bombas lacrimógenas haciendo huir a los maestros, en un primer momento que se encontraban en plantón, en lo que se ha calificado como una violenta represión.
El enfrentamiento no se pudo evitar, los docentes empezaron a reaccionar y de este presunto desalojo, de escasas cuatro horas, los maestros se reposicionaron del centro de Oaxaca, y por la acción, se ha paralizado la ciudad.
La represión del gobernador Ulises Ruiz Ortiz, sólo recrudeció las relaciones entre el magisterio y el gobierno del estado, se percibe un grado de ingobernabilidad, ante lo que actores políticos, sociales y académicos, han solicitado la desaparición de poderes en la entidad.
De manera extraoficial, la Cruz Roja de Oaxaca, informó que hubo tres maestros muertos, una niña muerta, un joven gravemente lesionado por la pérdida de un ojo y 71 profesores lesionados. De los policías, reportó tres muertos y 92 heridos. A las tres de la tarde, se supo del envío de tres aviones Hércules, llenos de policías federales para apoyar al gobierno del Estado, no obstante el secretario de Gobernación frenó el traslado de tropas.
La situación está totalmente tensa y no existe ninguna posibilidad de entablar negociaciones. Los maestros de Oaxaca piden la destitución de Ulises Ruiz y Ulises dice que no hay ningún enfrentamiento con los maestros.
La Unión de Comunidades Indígenas de la Zona Norte del istmo (UCIZONI), Maderas del Pueblo del Sureste, el subcomandante Insurgentes Marcos del Ejército Zapatista de Liberación Nacional (EZLN, la Unión Nacional de Trabajadores, la Unión de Organizaciones de la Sierra Juárez, Oaxaca (Unosjo) la Red Oaxaqueña de Derechos Humanos y en general la Sociedad Oaxaqueña, condenaron este atentado al derecho de expresión y de lucha por mejorar condiciones de vida, como es la lucha de los maestros de Oaxaca.
El operativo contra el magisterio oaxaqueño fue encabezado por más de tres mil elementos de la fuerza pública del estado, quienes desalojaron a punta de golpes y gas lacrimógeno a los más de 40 mil maestros que permanecían en el zócalo de Oaxaca, en demanda a la rezonificación salarial.
Reportes de medios noticiosos, indican que en la tarde del 14 de junio, continúa la presencia de la policía en el zócalo oaxaqueño e impide el paso de reporteros y fotógrafos al centro del plantón. Distintas fuentes, manifiestan que los uniformados han disparado cientos de cartuchos de gas lacrimógeno, balazos, pero que además roban y destruyen las pertenencias olvidadas de los maestros.
La acción comenzó en el Hotel del magisterio con el arresto de algunos dirigentes, luego de acusarlos de posesión de droga y armas de fuego, misma que se asegura fue plantada.
En la refriega, las fuerzas de seguridad destruyeron las instalaciones de Radio Plantón, radio libre y comunitaria que se encontraba ubicada en la sección XXII del Magisterio, acallando así un instrumento de comunicación independiente
Antes de ser demolidos, Radio Plantón informaba que los uniformados estaban por entrar al edificio sindical de la Sección XXII ubicado en la calle de Armenta y López, en el centro histórico de Oaxaca. Apuntaba la radiodifusora, que se escuchaban detonaciones de arma de fuego, el olor de gases lacrimógenos era insoportable. 5 minutos más tarde se interrumpe la señal de radio plantón, y después se confirma que es desmantelado el equipo de transmisión por el ejército.
En el zócalo quedaron las huellas de la refriega entre los dos bandos, frente a la Iglesia de San Francisco, ubicada a un costado de Palacio de Gobierno, un Wolkswagen color rojo muestra huellas de impactos de bala.
UCIZONI, considera que los hechos acontecidos, ponen en duda la legitimidad del gobierno estatal, que ya no representa los intereses de la sociedad oaxaqueña, confirmándose que Ulises persigue por un lado a sus opositores y por otro de manera abierta y con recursos públicos hace campaña a favor de Roberto Madrazo Pintado, candidato del Partido Revolucionario Institucional (PRI) a la Presidencia de la República.
Ante la gravedad UCIZONI, acordó convocar a una movilización para el 15 de junio a partir de las 11 de la mañana en la ciudad de Matías Romero, Oaxaca, donde demandarán la inmediata liberación de los maestros detenidos; el cese a la represión en contra del movimiento magisterial; castigo y destitución para los autores materiales e intelectuales de los hechos represivos y la atención a las justas demandas de los profesores oaxaqueños.
En la misma postura, se pronunciaron otros sectores de la sociedad oaxaqueña, nacional e internacional, en apoyo a los profesores de la sección XII del Sindicato Nacional de Trabajadores de la Educación y demandando el cese de las hostilidades así como la libertad de los detenidos.
De último momento se supo de la determinación de los maestros de un repliegue temporal, levantando por ahora el plantón, después de tres semanas de mantenerlo.
Fuente: Agencia Internacional de Prensa Indígena (AIPIN)
El enfrentamiento no se pudo evitar, los docentes empezaron a reaccionar y de este presunto desalojo, de escasas cuatro horas, los maestros se reposicionaron del centro de Oaxaca, y por la acción, se ha paralizado la ciudad.
La represión del gobernador Ulises Ruiz Ortiz, sólo recrudeció las relaciones entre el magisterio y el gobierno del estado, se percibe un grado de ingobernabilidad, ante lo que actores políticos, sociales y académicos, han solicitado la desaparición de poderes en la entidad.
De manera extraoficial, la Cruz Roja de Oaxaca, informó que hubo tres maestros muertos, una niña muerta, un joven gravemente lesionado por la pérdida de un ojo y 71 profesores lesionados. De los policías, reportó tres muertos y 92 heridos. A las tres de la tarde, se supo del envío de tres aviones Hércules, llenos de policías federales para apoyar al gobierno del Estado, no obstante el secretario de Gobernación frenó el traslado de tropas.
La situación está totalmente tensa y no existe ninguna posibilidad de entablar negociaciones. Los maestros de Oaxaca piden la destitución de Ulises Ruiz y Ulises dice que no hay ningún enfrentamiento con los maestros.
La Unión de Comunidades Indígenas de la Zona Norte del istmo (UCIZONI), Maderas del Pueblo del Sureste, el subcomandante Insurgentes Marcos del Ejército Zapatista de Liberación Nacional (EZLN, la Unión Nacional de Trabajadores, la Unión de Organizaciones de la Sierra Juárez, Oaxaca (Unosjo) la Red Oaxaqueña de Derechos Humanos y en general la Sociedad Oaxaqueña, condenaron este atentado al derecho de expresión y de lucha por mejorar condiciones de vida, como es la lucha de los maestros de Oaxaca.
El operativo contra el magisterio oaxaqueño fue encabezado por más de tres mil elementos de la fuerza pública del estado, quienes desalojaron a punta de golpes y gas lacrimógeno a los más de 40 mil maestros que permanecían en el zócalo de Oaxaca, en demanda a la rezonificación salarial.
Reportes de medios noticiosos, indican que en la tarde del 14 de junio, continúa la presencia de la policía en el zócalo oaxaqueño e impide el paso de reporteros y fotógrafos al centro del plantón. Distintas fuentes, manifiestan que los uniformados han disparado cientos de cartuchos de gas lacrimógeno, balazos, pero que además roban y destruyen las pertenencias olvidadas de los maestros.
La acción comenzó en el Hotel del magisterio con el arresto de algunos dirigentes, luego de acusarlos de posesión de droga y armas de fuego, misma que se asegura fue plantada.
En la refriega, las fuerzas de seguridad destruyeron las instalaciones de Radio Plantón, radio libre y comunitaria que se encontraba ubicada en la sección XXII del Magisterio, acallando así un instrumento de comunicación independiente
Antes de ser demolidos, Radio Plantón informaba que los uniformados estaban por entrar al edificio sindical de la Sección XXII ubicado en la calle de Armenta y López, en el centro histórico de Oaxaca. Apuntaba la radiodifusora, que se escuchaban detonaciones de arma de fuego, el olor de gases lacrimógenos era insoportable. 5 minutos más tarde se interrumpe la señal de radio plantón, y después se confirma que es desmantelado el equipo de transmisión por el ejército.
En el zócalo quedaron las huellas de la refriega entre los dos bandos, frente a la Iglesia de San Francisco, ubicada a un costado de Palacio de Gobierno, un Wolkswagen color rojo muestra huellas de impactos de bala.
UCIZONI, considera que los hechos acontecidos, ponen en duda la legitimidad del gobierno estatal, que ya no representa los intereses de la sociedad oaxaqueña, confirmándose que Ulises persigue por un lado a sus opositores y por otro de manera abierta y con recursos públicos hace campaña a favor de Roberto Madrazo Pintado, candidato del Partido Revolucionario Institucional (PRI) a la Presidencia de la República.
Ante la gravedad UCIZONI, acordó convocar a una movilización para el 15 de junio a partir de las 11 de la mañana en la ciudad de Matías Romero, Oaxaca, donde demandarán la inmediata liberación de los maestros detenidos; el cese a la represión en contra del movimiento magisterial; castigo y destitución para los autores materiales e intelectuales de los hechos represivos y la atención a las justas demandas de los profesores oaxaqueños.
En la misma postura, se pronunciaron otros sectores de la sociedad oaxaqueña, nacional e internacional, en apoyo a los profesores de la sección XII del Sindicato Nacional de Trabajadores de la Educación y demandando el cese de las hostilidades así como la libertad de los detenidos.
De último momento se supo de la determinación de los maestros de un repliegue temporal, levantando por ahora el plantón, después de tres semanas de mantenerlo.
Fuente: Agencia Internacional de Prensa Indígena (AIPIN)
A teleSur por Mario Drumond
Estranha sensação... Algumas semanas atrás capturei por acaso, via internet, o sinal da teleSur (www.telesurtv.net), uma emissora de televisão venezuelana que tem como meta integrar a América Latina por meio da linguagem audiovisual e jornalística. A sensação foi estranha porque logo nos primeiros minutos era como se eu estivesse vendo televisão pela primeira vez em minha vida! E desde ali, também pela primeira vez, tornei-me assíduo espectador de TV, ou melhor, de teleSur.
Em verdade, desde 1964, quando eu tinha 14 anos de idade, a televisão sempre me pareceu algo inteiramente inútil e dispensável. Recordo-me agora de uma só vez em que me senti lucrando por estar diante de um aparelho de TV, que não fosse para assistir a alguma obra cinematográfica do meu agrado. Foi durante alguns meses, ao final da década de 1970, quando Glauber Rocha logrou colocar no ar um programa semanal de televisão de fato televisível e inteligente: o Abertura. Para mim, foi esse o único programa periódico de TV produzido pela mídia brasileira, desde 1964, que merece ser conservado - pelo menos em minha memória.
Como aquela experiência foi de poucos meses e restrita a um único programa - e já se vão quase trinta anos que me aconteceu - com o tempo tornei-me cético e passei a crer que seria impossível fazer algo útil em audiovisual televisivo, não por questões relativas à linguagem em si, mas pelo poder que agrega aos interesses oligopólicos e plutocráticos que o dominam como instrumento de comunicação de massa, aos quais se tornara totalmente submetido. Deste modo, no que me diz respeito, o aparelho de TV é um artefato útil tão somente para visionar obras produzidas para cinema, em sessões caseiras, apesar das perdas inevitáveis da tela em miniatura e da qualidade sonora.
Porém, com a recém-descoberta da teleSur, aquela estranha sensação inicial provocou-me, em poucas semanas, uma mudança radical nas minhas concepções de realizador e estudioso do audiovisual. A teleSur demonstrou que é possível, sim, fazer algo útil, aliás, muito útil e, talvez, poderosamente útil, através daquilo que até hoje tem sido, para mim, um perverso instrumento de alienação, desintegração e desinformação dos povos e das pessoas. E, para que o leitor não pense que isto possa ser uma recaída no otimismo por parte de um cético, devo dizer porque acredito na revolução que a teleSur nos promete.
Linguagem
Por sorte minha, um dos primeiros programas que vi na teleSur foi um excelente documentário sobre o cineasta venezuelano Clemente de la Cerda (1935 -1984), do qual infelizmente nunca vi um filme e nem tinha ouvido falar - o que já dá uma dimensão da ignorância em que me vinha mantendo sobre nossos vizinhos latino-americanos. Clemente tinha uma postura de inquietação intelectual muito semelhante à de Glauber Rocha. Por sinal, a semelhança entre os dois me pareceu até mesmo física. Mas como cineasta, pelos trechos que foram exibidos no documentário, achei-o mais próximo de Rogério Sganzerla. Como Glauber e Rogério, Clemente morreu cedo mas deixou-nos um legado de obras definitivas para cultura de seu país e para a cinematografia universal.
Outra semelhança dele com os dois cineastas brasileiros seus contemporâneos é que ele escrevia, e escrevia muito bem. A diferença é que Clemente teve uma boa experiência em televisão nas décadas de 1940-50, antes de se assumir como cineasta de vanguarda nos anos 1960-70. Este dado é importante porque possibilitou a ele uma vivência de dentro do processo de produção televisiva - ainda enquanto ela nascia no território latino-americano - que a sua inteligência privilegiada soube transformar em análises críticas de espantosa acuidade.
O documentário exibe uma página de um de seus livros, a qual podia ser lida em vídeo pelo espectador e foi também lida quase toda em áudio (locução em off) - num plano muitíssimo ousado para televisão; um contundente grifo de mensagem. Nesse fragmento de texto o cineasta denuncia a gradativa usurpação, pelo veículo televisivo, dos papéis subjetivos da narrativa audiovisual e da câmera pela interposição do narrador (ou repórter) e do veículo (instituição) entre o conteúdo da mensagem e a inteligência do espectador.
Não tenho as palavras exatas de Clemente, não encontrei seus livros em lugar algum, mas, pelo que entendi, a conclusão de seu texto é a de que, nessa usurpação de linguagem, o veículo subtrai aos protagonistas a função de transmitir a informação para se apresentar ele próprio, e ilegitimamente, como o portador da "verdade", a qual manipula a seu critério. Não é à toa que a direção do documentário editou o inusitado plano-texto numa produção para a teleSur. Não será preciso mais de cinco minutos diante dela para perceber que seus diretores são discípulos das idéias de Clemente, em especial, quanto à essa sacada genial do cineasta. Nessa questão importantíssima, a teleSur resgata integralmente para a linguagem televisiva - e com uma qualidade fantástica - justamente os papéis subjetivos da câmera e da narrativa audiovisual, colocando de volta ao primeiro plano os protagonistas da informação - e portanto a verdade integral dela - diretamente em contato com o espectador.
E com uma competência extraordinária em todos os níveis de edição. Por tal postulação de linguagem, na teleSur todos os elementos componentes e construtores do audiovisual estão coordenados sob um rigor de direção e de produção que eu jamais observara em qualquer outro canal de televisão, e não me refiro apenas aos brasileiros e latino-americanos. E isto é só o começo.
Qualidade de edição
Nenhuma emissora de TV que eu tenha visto, inclusive algumas que se auto-proclamam "a melhor do mundo", chega aos pés da teleSur em qualidade de edição audiovisual "24 horas por dia". A começar pela câmera, cujos posicionamentos e movimentos são dirigidos cuidadosamente para o melhor enquadramento fotográfico do ponto de vista artístico e não comercial. Prioriza-se a assimetria da composição, as tensões visuais inquietantes, os plongés, os movimentos perturbadores e provocadores da inteligência do espectador, em lugar dos convencionais enquadramentos centralizados, dos planos médios banais e dos movimentos óbvios e hipnóticos que se tornaram quase obrigatórios às câmeras de TVs do mundo inteiro.
Em estúdio, nota-se a preocupação da teleSur com a qualidade cenográfica e de iluminação, sempre discretas, de bom gosto e artisticamente bem compostas, em lugar dos exageros cenográficos-luminosos que nos são estertorados em extremos de delírios bregas nas TVs conhecidas. O mesmo se pode dizer em relação à escolha dos profissionais em cena e aos cuidados de seus vestuários, maquiagens e cabelos. Ainda no visual, há a se 3 destacar a qualidade gráfica e tipográfica das titulagens, legendas e gráficos da teleSur, sempre claros, bem compostos, legíveis e respeitando as boas regras de proporção e composição gráfica na relação imagem-textos do quadro exibido, e no uso de cores nobres e bem combinadas. Tudo isto vem associado a um excelente trabalho de computação gráfica, animações e efeitos visuais utilizados com parcimônia, adequação e elaboração criativa, em muitos casos, primorosa.
A direção de arte da teleSur sabe muito bem o que fazer e como fazer. Consegue uma sofisticação e um requinte de imagem, ao par de um invulgar despojamento e limpeza de acabamento, que resultam numa qualidade de apresentação visual de alto nível profissional e alcança o patamar das mais bem cuidadas realizações cinematográficas. Iguais cuidados são tidos com o áudio. A trilha sonora da teleSur é brilhante em qualidade e harmonia, das vinhetas aos conteúdos editados. Dispondo dos mais variados recursos acústicos e eletrônicos, a direção musical da teleSur vale-se de originais emas melódicos, populares e eruditos, e do uso criativo e adequado de efeitos sonoros a fim de sustentar e enriquecer as imagens, sublinhando e enfatizando as locuções e narrações de maneira ao mesmo tempo suave e marcante. Descartam-se, na teleSur, os estardalhaços cacofônicos e autistas verificados na poluição sonora da maioria das grandes redes de televisão.
A locução jornalística dos âncoras, moderadores e repórteres da teleSur é direta e firme, quase neutra, mas sem perda da sensibilidade dramática, e completamente desvencilhada das afetações vulgares e maneirismos imbecilizantes hoje verificados com cada vez mais irritante frequência no jornalismo televisivo das grandes redes. Esse domínio das duas pistas da linguagem (áudio e vídeo) não será menor, evidentemente, na etapa final e mais importante da edição, que é a montagem. Nela, sente-se que a teleSur se cuida para não avançar demais em relação às outras mídias televisivas que estragaram o gosto do público e viciaram o espectador na chatice do discurso linear e na obviedade sequencial. Ela então se cuida para ser aceita como boa. Só que é boa mesmo!
Ainda assim, a montagem da teleSur - que prima pela simplicidade e pelo despojamento - é rica em ritmos e timbres audiovisuais e vai aos poucos introduzindo elementos novos e avançados de linguagem, como nas sequências de planos e contra-planos jornalísticos, de entrevistas e mesas-redondas, montando-os muito mais dialéticos e criativos do que nas outras TVs. Eu não diria que a teleSur faz uma montagem vanguardista como resultado final, se comparada à liberdade de edição cinematográfica, mas que ela pratica uma montagem com diversidade e movimentação muito acima da média e para além, em ousadia, de qualquer outra edição televisiva que conheço.
As grandes redes de televisão buscam moldar seus públicos num perfil de espectador alienado, egoísta, gregário e globalizado. Algumas chegam mesmo a querê-lo estúpido e até boçal. Em geral, tratam o espectador como um idiota ou um débil mental, e se acham no direito de se intrometer na vida dele de maneira arrogante e grosseira. Muito ao contrário, a teleSur se quer moldada pelo espectador consciente, preocupado com as questões sociais, independente e, antes de tudo, latino-americano. A teleSur não só respeita a inteligência do espectador; ela o trata bem, muito bem, com distinção, consideração e gentileza. E que não se pense ser a teleSur, elitista. Ela é uma emissora de TV muito popular. Só as elites ignorantes acreditam que o povão gosta de lixo; quem gosta de lixo são elas, as elites.
Na verdade, a televisão que fazem são para elas mesmas - e a empurram goela abaixo dos 4 povos do mundo à força de métodos (anestésicos) audiovisuais que vêm sendo desenvolvidos desde os sórdidos inícios da propaganda comercial e nazista.
"A massa ainda há de comer o biscoito fino que eu fabrico", dizia o escritor Oswald de Andrade. A teleSur é a realização mais ampla e mais concreta que conheço desse prognóstico oswaldiano.
Conteúdo
Tudo o que acima vem exposto é colocado a serviço de um conteúdo pautado em critérios, agora sim, da maior vanguarda editorial de comunicação de massa que já se viu, seja em mídia impressa ou eletrônica. A teleSur tem por cenário a América Latina toda, do México e Caribe ao extremo Cone Sul, e tem por protagonista principal o povo latino-americano. Assim, ela se coloca a serviço de suas nações e não de seus estados e governantes. Sua grade é desenhada a serviço da auto-estima, do engradecimento e da independência do seu principal protagonista e do cenário em que vive. Nela tem voz o operário, o camponês, o indígena, os explorados, as reivindicações e as lutas populares, suas desditas, suas conquistas. Dela participam os melhores artistas e pensadores de todas as expressões, eruditas e populares, desde a vanguarda contemporânea aos grandes mestres do passado.
Frequentam-na, igualmente, as mais expressivas e progressistas lideranças políticas e populares da atualidade e da história. Nessa grade não há espaço nem tempo para baixarias de mau jornalismo, nem para o banditismo e a divulgação desnecessária de seus crimes, nem para os oportunismos popularescos de auditórios, nem para enganações de pseudosentretenimentos de má qualidade e origem duvidosa, nem para perversidades audiovisuais de qualquer gênero - e muito menos para as porcariadas alienígenas enlatadas. Além disso, - oh! Glória! - não há publicidade comercial. Política, cultura, riquezas naturais, tradições, folclore, comida, energia, trabalho, artes, educação, lazer, esportes e outros temas de interesses nacionais e continentais se distribuem bem equilibrados naquela grade, suportados por camadas sólidas do melhor, mais bem preparado e mais bem equipado jornalismo televisivo que conheço. "Vamos a nos conocer" - diz um de seus belos slogans. Documentos geniais em séries como Caminantes, Nahui - El Rostro del Ecuador, Memorias del Fuego, Destino Latino-America, Estacion Submarina, se permeiam a produções de documentários culturais e periodísticos (Cultural Doc e Periodístico Doc) e a edições especiais jornalísticas como Agenda del Sur - La Revista, Mesa Redonda, Realidades e Sintesis en Latinoamericana, além de outros programas que ainda não tive a oportunidade de conhecer, compõem, junto aos grandes "Noticieros", uma movimentada grade televisiva que tem como único defeito o de tornar cada vez mais difícil o ato, para o meu caso absolutamente necessário, de desligar o aparelho (ou "desconectar" do site).
Pela primeira vez vi, em sinal de TV no Brasil, imagens tomadas em Palácios de Governo, Casas Legislativas, ruas, centros urbanos, regiões rurais, campos, desertos e florestas de países como Venezuela, Colombia, Bolívia, Equador, Peru, Paraguai, Cuba, México, Nicarágua, Haiti, para citar apenas os que foram matérias nas semanas passadas. Até então 5 só chegara aos meus olhos umas poucas imagens do tipo vindas do Uruguai, Argentina e Chile, mesmo assim em momentos que se já vão longe e me dóem recordar. Nos noticiários da teleSur é assídua a presença de políticos como Fidel Castro, Hugo Chaves, Evo Morales, Tabaré Vasques, Nestor Kirchner, Álvaro Uribe, Alejandro Toledo, e até, de vez em quando, Lula (infelizmente, parece que o Brasil é o único país latinoamericano que se mantém distante da teleSur)1. Também estão lá os líderes políticos, ministros e autoridades de todos os países latino-americanos. Atuais líderes revolucionários como Daniel Ortega, Raul Reyes (Farcs), Ollanta Umalla, Subcomandante Marcos, entre outras lideranças sindicais, estudantis e políticas de diversas origens de classe e matizes ideológicos progressitas e revolucionários também frequentam os noticiários e especiais da teleSur, ao lado de grandes líderes do passado como Che Guevara e Raul Sendic.
Além disso, a teleSur conecta-se com o resto do mundo, em coberturas exclusivas ou filtrando o suco de interesse das agências de notícias internacionais, sempre dando preferência às frentes de resistência ao imperialismo, onde estiverem, seja no Nepal, na Nigéria, em Bagdá, na Coréia do Sul, na Europa, em Teerã, ou nos próprios EUA..
Mas, como já disse, o protagonista mais importante de todos é o povão: camponeses, operários, indígenas e caboclos de todas regiões da América Latina, inclusive as mais longínquas e olvidadas, estão lá, nos ensinando as coisas de suas terras, de suas tradições, de suas culturas, de seus labores. E como são belos e falam bem, os latino-americanos! E como são belas as regiões em que vivem! Não falo de uma pseudo-beleza formal, estereotipada e cenografada pela enganação midiática. Eu me refiro à beleza verdadeira, autóctone, às vezes rude e até áspera, dos ricos rincões de humanidade que nos vêm sendo revelados pelas câmeras e microfones da teleSur. E, como postulava Clemente de la Cerda, sem a impertinência afetada de reporterizinhos medíocres se colocando, em nome de seus "veículos", entre nós, espectadores, e os protagonistas da mensagem audiovisual, quase sempre a insultar a nossa inteligência.
Cabe aqui o elogio à toda equipe da teleSur, pela garra com que encaram o trabalho que fazem e a consciência que demonstram ter da importância dele, o que nos é perfeitamente visível, seja em cena, nos bastidores ou nas instâncias administrativas e de produção. Só para fazer o leitor que nunca viu a teleSur ficar babando de inveja, vou relacionar, ao final deste texto, alguns dos programas que tive o privilégio de visionar nas poucas semanas em que me tornei espectador teleSur.
Se estivesse vivo, Oswald de Andrade iria se deliciar com a teleSur porque ela é exatamente "a voz (e a imagem) do homem do Equador" que o grande escritor previu em seus textos filosóficos "maravilhosamente bem escritos" como aquele que, quando conquistasse a sua vez de falar, iniciaria a grande revolução demarcadora do fim do velho e obsoleto patriarcado capitalista e do início de uma nova era: a do novo e revolucionário matriarcado socialista do homem natural-tecnizado, no qual a sociedade, graças ao uso social e benéfico da tecnologia, será a grande mãe dadivosa e provedora de todos os seus filhos, ou seja, a era que a Revolução Bolivariana de Hugo Chavez inaugura para o mundo. - Viva a Venezuela!
Hugo Chavez
Já que acima mencionei a inveja devo agora confessar uma que me vem tomando o espírito nestes últimos anos: a de quem vive sob o manto solar da Revolução Bolivariana capitaneada por Hugo Chavez, ou seja, a de quem vive numa pátria que tem por presidente este genial revolucionário moderno. Ter por presidente alguém que tenha lido Thomas Morus e Simon Bolivar e é capaz de citar numa só frase, de improviso e com pertinência, Jean-Paul Sartre e Benedicto XVI (A Revolução do Amor), como pude ver pela teleSur na chegada de Chavez em Viena para uma reunião de cúpula internacional; ter por presidente alguém compromissado com uma história que conhece bem pelas melhores letras e que tem a coragem de liderar - com o risco da própria vida e em franco desafio aos super-poderosos poderes que nos ameaçam e nos assolam - a realização de uma obra social e cultural do porte desta que a Venezuela está realizando para si e para o mundo; ter por presidente alguém que faz o melhor investimento até hoje jamais feito com o dinheiro da energia suja do petróleo; ter por presidente alguém que está armando o povo de seu país (e dos países vizinhos) para enfrentar o invasor com todas as armas, e não somente as armas bélicas, mas, também, as armas da educação, da cultura e do saber, da igualdade social, da verdadeira democracia e da comunicação de massa (teleSur), esta última entre as mais eficazes nos tempos atuais - é o que, entre as inúmeras virtudes da República Bolivariana da Venezuela e de seu grande líder Presidente Hugo Rafael Chávez Frías, me faz confessar a inveja que nutro por todos os venezuelanos. Que, com humildade, parabenizo. Mas, "já estamos a nos conocer".
-o-o-o-o-
Leio em Gilberto Vasconcelos (Nacionalismo Trabalhista Brasileiro, inédito) que Hegel identificou um conflito, naquela época em gestação, entre a América do Sul e a América do Norte. Para Hegel tal conflito seria duradouro e ele inclinou-se a crer que a América do Sul sairia, ao final, vitoriosa. Sendo contemporâneos, é provável que Hegel conhecera as idéias de Bolivar e isto pode ter influenciado o seu vaticínio, bastante arriscado já naqueles idos. Quando vejo na teleSur Hugo Chavez se referir a Evo Morales como a encarnação da profecia do aymara Tupac Katari, o qual, ao morrer esquartejado pelos espanhóis por causa de sua liderança libertária, disse que ia voltar, penso em Chavez também como a encarnação dos ideais de Bolivar - que retorna ao mundo para cumpri-los e consagrar mais uma vez a razão e a lucidez profética de dois grandes filósofos: o alemão Hegel e o brasileiro Oswald de Andrade.
Pelas informações a que tive acesso (na própria teleSur), apenas o governador Roberto Requião, do estado do Paraná, firmou convênio para repetir o sinal da teleSur em seu estado, incluindo um canal de áudio em português. Vi também, por acaso, alguns programas da teleSur, se bem que alterados, reeditados e muito prejudicados na qualidade, numa tal TV Brasil, que eu desconhecia. Informa-se nela que essa programação se restringe a horários, entre 1h e 7h, nos quais nem as grandes redes TVs conseguem sequer traço de audiência.
Além do já citado documentário sobre Clemente de la Cerda, eis alguns programas que destaco entre os que tive o privilégio de assistir pela teleSur (quase três semanas, com cerca de duas horas de audiência por dia):
- Na série Caminantes, conheci a genial escritora e filósofa Rigoberta Menchú Tum, a índia maya-quiché nicaraguense que foi Prêmio Nobel da Paz, em 1992. O discurso dessa mulher é algo de extraordinário e nos conduz ao melhor pensamento revolucionário e humanista que tive o privilégio de conhecer. A produção (mexicana) do documentário é impecável, assim como a direção, a fotografia e, acima de tudo, a extrema sensibilidade na captação de um maravilhoso depoimento dado em entrevista que a edição montou, talvez na íntegra, pontuado de forma enxuta e severa por iconografias audiovisuais pertinentes, ao ponto de excluir totalmente a participação do entrevistador, tanto na imagem como no texto publicados.
- Da série Nahui - El Rostro del Ecuador, vi três belos filmes de documentário-ficção: Mulucu Auaca, Awa e Huaorani - Los hijos del Sol. Todos são produções equatorianas do final da década de 1990 e reproduzem as lendas e mitos da criação das respectivas tribos, narradas e protagonizadas pelos próprios indígenas em suas línguas originais (legendas em castelhano) e filmadas no habitat natural onde ainda vivem. Belíssimas sequências, dignas de um mestre como Kurosawa, explorando a plasticidade da floresta úmida equatoriana, os silêncios e sons da natureza e a beleza rústica dos indígenas, suas culturas e suas sábias crenças. Só vendo.
- No excelente Agenda del Sur, destaco, entre outros, um que foi dedicado ao uso das plantas medicinais pelas tradições indígenas sul-americanas e a atual exploração de seus conhecimentos por transnacionais ávidas de registrar patentes farmacêuticas. Esse programa é sempre informação jornalística de primeira. Um outro que vi foi dedicado à comida do povo latino-americano. É o primeiro que vejo sobre o assunto que não vem nos falar de bobagens nutricionais como vitaminas, fibras, carbohidratos, dietas burguesas da moda e ecologia de butique, e nos informa com segurança sobre as questões de produção, dos trangênicos, da biomassa vegetal e das tentativas de exploração imperialista das nossas riquezas agrícolas. Nesse programa, registrei a presença bem informada de Roosevelt Franquiz, engenheiro agrônomo e diretor do Instituto de Terras da Venezuela, que muito me pareceu um Marcello Guimarães venezuelano.
- Ainda em Agenda del Sur, se não me engano, pude me deliciar com um recital de música de câmara contemporânea com composições e execução do chileno Alejandro Lavaderos e um conjunto de sopros que executa, em instrumentos tradicionais de bambu e em flautas transversas, um tão inovador quanto genial repertório de música erudita que orgulharia a qualquer nacionalidade de qualquer parte do mundo. Vi também chamadas para programas a serem levados sobre o poeta Mario Benedetti, a atriz Maria Rojo, o pintor mexicano Siqueiros, e outros sobre cineastas, escritores e artistas cujos nomes não me recordo agora, todos muito interessantes. Entre as vinhetas, a minha predileta é a da bailarina, não só pelo tratamento plástico-visual mas, principalmente, pela beleza da sua dança e da música que a acompanha. E pelo final surpreendente, que não vou contar. Outras belas vinhetas são a do pianista Chuchito Sanoja, magistral, e a de uma trupe de atrizescantoras em performances de rua. É boa também (e arriscada, quanto ao áudio) a vinheta dos noticiários. Aliás, as vinhetas da teleSur são todas boas ou muito boas. Excelentes, tanto quanto competentes, são também as criações de identidade visual da teleSur, desde o logotipo, suas animações, seus slogans, suas aplicações em tela, além das entradas e saídas dos programas da grade.
"TeleSur: Nuestro Norte es el Sur".
- Mario Drumond é jornalista e realizador audiovisual (escrito em Belo Horizonte, 16 de maio de 2006)
http://alainet.org/active/11847
Em verdade, desde 1964, quando eu tinha 14 anos de idade, a televisão sempre me pareceu algo inteiramente inútil e dispensável. Recordo-me agora de uma só vez em que me senti lucrando por estar diante de um aparelho de TV, que não fosse para assistir a alguma obra cinematográfica do meu agrado. Foi durante alguns meses, ao final da década de 1970, quando Glauber Rocha logrou colocar no ar um programa semanal de televisão de fato televisível e inteligente: o Abertura. Para mim, foi esse o único programa periódico de TV produzido pela mídia brasileira, desde 1964, que merece ser conservado - pelo menos em minha memória.
Como aquela experiência foi de poucos meses e restrita a um único programa - e já se vão quase trinta anos que me aconteceu - com o tempo tornei-me cético e passei a crer que seria impossível fazer algo útil em audiovisual televisivo, não por questões relativas à linguagem em si, mas pelo poder que agrega aos interesses oligopólicos e plutocráticos que o dominam como instrumento de comunicação de massa, aos quais se tornara totalmente submetido. Deste modo, no que me diz respeito, o aparelho de TV é um artefato útil tão somente para visionar obras produzidas para cinema, em sessões caseiras, apesar das perdas inevitáveis da tela em miniatura e da qualidade sonora.
Porém, com a recém-descoberta da teleSur, aquela estranha sensação inicial provocou-me, em poucas semanas, uma mudança radical nas minhas concepções de realizador e estudioso do audiovisual. A teleSur demonstrou que é possível, sim, fazer algo útil, aliás, muito útil e, talvez, poderosamente útil, através daquilo que até hoje tem sido, para mim, um perverso instrumento de alienação, desintegração e desinformação dos povos e das pessoas. E, para que o leitor não pense que isto possa ser uma recaída no otimismo por parte de um cético, devo dizer porque acredito na revolução que a teleSur nos promete.
Linguagem
Por sorte minha, um dos primeiros programas que vi na teleSur foi um excelente documentário sobre o cineasta venezuelano Clemente de la Cerda (1935 -1984), do qual infelizmente nunca vi um filme e nem tinha ouvido falar - o que já dá uma dimensão da ignorância em que me vinha mantendo sobre nossos vizinhos latino-americanos. Clemente tinha uma postura de inquietação intelectual muito semelhante à de Glauber Rocha. Por sinal, a semelhança entre os dois me pareceu até mesmo física. Mas como cineasta, pelos trechos que foram exibidos no documentário, achei-o mais próximo de Rogério Sganzerla. Como Glauber e Rogério, Clemente morreu cedo mas deixou-nos um legado de obras definitivas para cultura de seu país e para a cinematografia universal.
Outra semelhança dele com os dois cineastas brasileiros seus contemporâneos é que ele escrevia, e escrevia muito bem. A diferença é que Clemente teve uma boa experiência em televisão nas décadas de 1940-50, antes de se assumir como cineasta de vanguarda nos anos 1960-70. Este dado é importante porque possibilitou a ele uma vivência de dentro do processo de produção televisiva - ainda enquanto ela nascia no território latino-americano - que a sua inteligência privilegiada soube transformar em análises críticas de espantosa acuidade.
O documentário exibe uma página de um de seus livros, a qual podia ser lida em vídeo pelo espectador e foi também lida quase toda em áudio (locução em off) - num plano muitíssimo ousado para televisão; um contundente grifo de mensagem. Nesse fragmento de texto o cineasta denuncia a gradativa usurpação, pelo veículo televisivo, dos papéis subjetivos da narrativa audiovisual e da câmera pela interposição do narrador (ou repórter) e do veículo (instituição) entre o conteúdo da mensagem e a inteligência do espectador.
Não tenho as palavras exatas de Clemente, não encontrei seus livros em lugar algum, mas, pelo que entendi, a conclusão de seu texto é a de que, nessa usurpação de linguagem, o veículo subtrai aos protagonistas a função de transmitir a informação para se apresentar ele próprio, e ilegitimamente, como o portador da "verdade", a qual manipula a seu critério. Não é à toa que a direção do documentário editou o inusitado plano-texto numa produção para a teleSur. Não será preciso mais de cinco minutos diante dela para perceber que seus diretores são discípulos das idéias de Clemente, em especial, quanto à essa sacada genial do cineasta. Nessa questão importantíssima, a teleSur resgata integralmente para a linguagem televisiva - e com uma qualidade fantástica - justamente os papéis subjetivos da câmera e da narrativa audiovisual, colocando de volta ao primeiro plano os protagonistas da informação - e portanto a verdade integral dela - diretamente em contato com o espectador.
E com uma competência extraordinária em todos os níveis de edição. Por tal postulação de linguagem, na teleSur todos os elementos componentes e construtores do audiovisual estão coordenados sob um rigor de direção e de produção que eu jamais observara em qualquer outro canal de televisão, e não me refiro apenas aos brasileiros e latino-americanos. E isto é só o começo.
Qualidade de edição
Nenhuma emissora de TV que eu tenha visto, inclusive algumas que se auto-proclamam "a melhor do mundo", chega aos pés da teleSur em qualidade de edição audiovisual "24 horas por dia". A começar pela câmera, cujos posicionamentos e movimentos são dirigidos cuidadosamente para o melhor enquadramento fotográfico do ponto de vista artístico e não comercial. Prioriza-se a assimetria da composição, as tensões visuais inquietantes, os plongés, os movimentos perturbadores e provocadores da inteligência do espectador, em lugar dos convencionais enquadramentos centralizados, dos planos médios banais e dos movimentos óbvios e hipnóticos que se tornaram quase obrigatórios às câmeras de TVs do mundo inteiro.
Em estúdio, nota-se a preocupação da teleSur com a qualidade cenográfica e de iluminação, sempre discretas, de bom gosto e artisticamente bem compostas, em lugar dos exageros cenográficos-luminosos que nos são estertorados em extremos de delírios bregas nas TVs conhecidas. O mesmo se pode dizer em relação à escolha dos profissionais em cena e aos cuidados de seus vestuários, maquiagens e cabelos. Ainda no visual, há a se 3 destacar a qualidade gráfica e tipográfica das titulagens, legendas e gráficos da teleSur, sempre claros, bem compostos, legíveis e respeitando as boas regras de proporção e composição gráfica na relação imagem-textos do quadro exibido, e no uso de cores nobres e bem combinadas. Tudo isto vem associado a um excelente trabalho de computação gráfica, animações e efeitos visuais utilizados com parcimônia, adequação e elaboração criativa, em muitos casos, primorosa.
A direção de arte da teleSur sabe muito bem o que fazer e como fazer. Consegue uma sofisticação e um requinte de imagem, ao par de um invulgar despojamento e limpeza de acabamento, que resultam numa qualidade de apresentação visual de alto nível profissional e alcança o patamar das mais bem cuidadas realizações cinematográficas. Iguais cuidados são tidos com o áudio. A trilha sonora da teleSur é brilhante em qualidade e harmonia, das vinhetas aos conteúdos editados. Dispondo dos mais variados recursos acústicos e eletrônicos, a direção musical da teleSur vale-se de originais emas melódicos, populares e eruditos, e do uso criativo e adequado de efeitos sonoros a fim de sustentar e enriquecer as imagens, sublinhando e enfatizando as locuções e narrações de maneira ao mesmo tempo suave e marcante. Descartam-se, na teleSur, os estardalhaços cacofônicos e autistas verificados na poluição sonora da maioria das grandes redes de televisão.
A locução jornalística dos âncoras, moderadores e repórteres da teleSur é direta e firme, quase neutra, mas sem perda da sensibilidade dramática, e completamente desvencilhada das afetações vulgares e maneirismos imbecilizantes hoje verificados com cada vez mais irritante frequência no jornalismo televisivo das grandes redes. Esse domínio das duas pistas da linguagem (áudio e vídeo) não será menor, evidentemente, na etapa final e mais importante da edição, que é a montagem. Nela, sente-se que a teleSur se cuida para não avançar demais em relação às outras mídias televisivas que estragaram o gosto do público e viciaram o espectador na chatice do discurso linear e na obviedade sequencial. Ela então se cuida para ser aceita como boa. Só que é boa mesmo!
Ainda assim, a montagem da teleSur - que prima pela simplicidade e pelo despojamento - é rica em ritmos e timbres audiovisuais e vai aos poucos introduzindo elementos novos e avançados de linguagem, como nas sequências de planos e contra-planos jornalísticos, de entrevistas e mesas-redondas, montando-os muito mais dialéticos e criativos do que nas outras TVs. Eu não diria que a teleSur faz uma montagem vanguardista como resultado final, se comparada à liberdade de edição cinematográfica, mas que ela pratica uma montagem com diversidade e movimentação muito acima da média e para além, em ousadia, de qualquer outra edição televisiva que conheço.
As grandes redes de televisão buscam moldar seus públicos num perfil de espectador alienado, egoísta, gregário e globalizado. Algumas chegam mesmo a querê-lo estúpido e até boçal. Em geral, tratam o espectador como um idiota ou um débil mental, e se acham no direito de se intrometer na vida dele de maneira arrogante e grosseira. Muito ao contrário, a teleSur se quer moldada pelo espectador consciente, preocupado com as questões sociais, independente e, antes de tudo, latino-americano. A teleSur não só respeita a inteligência do espectador; ela o trata bem, muito bem, com distinção, consideração e gentileza. E que não se pense ser a teleSur, elitista. Ela é uma emissora de TV muito popular. Só as elites ignorantes acreditam que o povão gosta de lixo; quem gosta de lixo são elas, as elites.
Na verdade, a televisão que fazem são para elas mesmas - e a empurram goela abaixo dos 4 povos do mundo à força de métodos (anestésicos) audiovisuais que vêm sendo desenvolvidos desde os sórdidos inícios da propaganda comercial e nazista.
"A massa ainda há de comer o biscoito fino que eu fabrico", dizia o escritor Oswald de Andrade. A teleSur é a realização mais ampla e mais concreta que conheço desse prognóstico oswaldiano.
Conteúdo
Tudo o que acima vem exposto é colocado a serviço de um conteúdo pautado em critérios, agora sim, da maior vanguarda editorial de comunicação de massa que já se viu, seja em mídia impressa ou eletrônica. A teleSur tem por cenário a América Latina toda, do México e Caribe ao extremo Cone Sul, e tem por protagonista principal o povo latino-americano. Assim, ela se coloca a serviço de suas nações e não de seus estados e governantes. Sua grade é desenhada a serviço da auto-estima, do engradecimento e da independência do seu principal protagonista e do cenário em que vive. Nela tem voz o operário, o camponês, o indígena, os explorados, as reivindicações e as lutas populares, suas desditas, suas conquistas. Dela participam os melhores artistas e pensadores de todas as expressões, eruditas e populares, desde a vanguarda contemporânea aos grandes mestres do passado.
Frequentam-na, igualmente, as mais expressivas e progressistas lideranças políticas e populares da atualidade e da história. Nessa grade não há espaço nem tempo para baixarias de mau jornalismo, nem para o banditismo e a divulgação desnecessária de seus crimes, nem para os oportunismos popularescos de auditórios, nem para enganações de pseudosentretenimentos de má qualidade e origem duvidosa, nem para perversidades audiovisuais de qualquer gênero - e muito menos para as porcariadas alienígenas enlatadas. Além disso, - oh! Glória! - não há publicidade comercial. Política, cultura, riquezas naturais, tradições, folclore, comida, energia, trabalho, artes, educação, lazer, esportes e outros temas de interesses nacionais e continentais se distribuem bem equilibrados naquela grade, suportados por camadas sólidas do melhor, mais bem preparado e mais bem equipado jornalismo televisivo que conheço. "Vamos a nos conocer" - diz um de seus belos slogans. Documentos geniais em séries como Caminantes, Nahui - El Rostro del Ecuador, Memorias del Fuego, Destino Latino-America, Estacion Submarina, se permeiam a produções de documentários culturais e periodísticos (Cultural Doc e Periodístico Doc) e a edições especiais jornalísticas como Agenda del Sur - La Revista, Mesa Redonda, Realidades e Sintesis en Latinoamericana, além de outros programas que ainda não tive a oportunidade de conhecer, compõem, junto aos grandes "Noticieros", uma movimentada grade televisiva que tem como único defeito o de tornar cada vez mais difícil o ato, para o meu caso absolutamente necessário, de desligar o aparelho (ou "desconectar" do site).
Pela primeira vez vi, em sinal de TV no Brasil, imagens tomadas em Palácios de Governo, Casas Legislativas, ruas, centros urbanos, regiões rurais, campos, desertos e florestas de países como Venezuela, Colombia, Bolívia, Equador, Peru, Paraguai, Cuba, México, Nicarágua, Haiti, para citar apenas os que foram matérias nas semanas passadas. Até então 5 só chegara aos meus olhos umas poucas imagens do tipo vindas do Uruguai, Argentina e Chile, mesmo assim em momentos que se já vão longe e me dóem recordar. Nos noticiários da teleSur é assídua a presença de políticos como Fidel Castro, Hugo Chaves, Evo Morales, Tabaré Vasques, Nestor Kirchner, Álvaro Uribe, Alejandro Toledo, e até, de vez em quando, Lula (infelizmente, parece que o Brasil é o único país latinoamericano que se mantém distante da teleSur)1. Também estão lá os líderes políticos, ministros e autoridades de todos os países latino-americanos. Atuais líderes revolucionários como Daniel Ortega, Raul Reyes (Farcs), Ollanta Umalla, Subcomandante Marcos, entre outras lideranças sindicais, estudantis e políticas de diversas origens de classe e matizes ideológicos progressitas e revolucionários também frequentam os noticiários e especiais da teleSur, ao lado de grandes líderes do passado como Che Guevara e Raul Sendic.
Além disso, a teleSur conecta-se com o resto do mundo, em coberturas exclusivas ou filtrando o suco de interesse das agências de notícias internacionais, sempre dando preferência às frentes de resistência ao imperialismo, onde estiverem, seja no Nepal, na Nigéria, em Bagdá, na Coréia do Sul, na Europa, em Teerã, ou nos próprios EUA..
Mas, como já disse, o protagonista mais importante de todos é o povão: camponeses, operários, indígenas e caboclos de todas regiões da América Latina, inclusive as mais longínquas e olvidadas, estão lá, nos ensinando as coisas de suas terras, de suas tradições, de suas culturas, de seus labores. E como são belos e falam bem, os latino-americanos! E como são belas as regiões em que vivem! Não falo de uma pseudo-beleza formal, estereotipada e cenografada pela enganação midiática. Eu me refiro à beleza verdadeira, autóctone, às vezes rude e até áspera, dos ricos rincões de humanidade que nos vêm sendo revelados pelas câmeras e microfones da teleSur. E, como postulava Clemente de la Cerda, sem a impertinência afetada de reporterizinhos medíocres se colocando, em nome de seus "veículos", entre nós, espectadores, e os protagonistas da mensagem audiovisual, quase sempre a insultar a nossa inteligência.
Cabe aqui o elogio à toda equipe da teleSur, pela garra com que encaram o trabalho que fazem e a consciência que demonstram ter da importância dele, o que nos é perfeitamente visível, seja em cena, nos bastidores ou nas instâncias administrativas e de produção. Só para fazer o leitor que nunca viu a teleSur ficar babando de inveja, vou relacionar, ao final deste texto, alguns dos programas que tive o privilégio de visionar nas poucas semanas em que me tornei espectador teleSur.
Se estivesse vivo, Oswald de Andrade iria se deliciar com a teleSur porque ela é exatamente "a voz (e a imagem) do homem do Equador" que o grande escritor previu em seus textos filosóficos "maravilhosamente bem escritos" como aquele que, quando conquistasse a sua vez de falar, iniciaria a grande revolução demarcadora do fim do velho e obsoleto patriarcado capitalista e do início de uma nova era: a do novo e revolucionário matriarcado socialista do homem natural-tecnizado, no qual a sociedade, graças ao uso social e benéfico da tecnologia, será a grande mãe dadivosa e provedora de todos os seus filhos, ou seja, a era que a Revolução Bolivariana de Hugo Chavez inaugura para o mundo. - Viva a Venezuela!
Hugo Chavez
Já que acima mencionei a inveja devo agora confessar uma que me vem tomando o espírito nestes últimos anos: a de quem vive sob o manto solar da Revolução Bolivariana capitaneada por Hugo Chavez, ou seja, a de quem vive numa pátria que tem por presidente este genial revolucionário moderno. Ter por presidente alguém que tenha lido Thomas Morus e Simon Bolivar e é capaz de citar numa só frase, de improviso e com pertinência, Jean-Paul Sartre e Benedicto XVI (A Revolução do Amor), como pude ver pela teleSur na chegada de Chavez em Viena para uma reunião de cúpula internacional; ter por presidente alguém compromissado com uma história que conhece bem pelas melhores letras e que tem a coragem de liderar - com o risco da própria vida e em franco desafio aos super-poderosos poderes que nos ameaçam e nos assolam - a realização de uma obra social e cultural do porte desta que a Venezuela está realizando para si e para o mundo; ter por presidente alguém que faz o melhor investimento até hoje jamais feito com o dinheiro da energia suja do petróleo; ter por presidente alguém que está armando o povo de seu país (e dos países vizinhos) para enfrentar o invasor com todas as armas, e não somente as armas bélicas, mas, também, as armas da educação, da cultura e do saber, da igualdade social, da verdadeira democracia e da comunicação de massa (teleSur), esta última entre as mais eficazes nos tempos atuais - é o que, entre as inúmeras virtudes da República Bolivariana da Venezuela e de seu grande líder Presidente Hugo Rafael Chávez Frías, me faz confessar a inveja que nutro por todos os venezuelanos. Que, com humildade, parabenizo. Mas, "já estamos a nos conocer".
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Leio em Gilberto Vasconcelos (Nacionalismo Trabalhista Brasileiro, inédito) que Hegel identificou um conflito, naquela época em gestação, entre a América do Sul e a América do Norte. Para Hegel tal conflito seria duradouro e ele inclinou-se a crer que a América do Sul sairia, ao final, vitoriosa. Sendo contemporâneos, é provável que Hegel conhecera as idéias de Bolivar e isto pode ter influenciado o seu vaticínio, bastante arriscado já naqueles idos. Quando vejo na teleSur Hugo Chavez se referir a Evo Morales como a encarnação da profecia do aymara Tupac Katari, o qual, ao morrer esquartejado pelos espanhóis por causa de sua liderança libertária, disse que ia voltar, penso em Chavez também como a encarnação dos ideais de Bolivar - que retorna ao mundo para cumpri-los e consagrar mais uma vez a razão e a lucidez profética de dois grandes filósofos: o alemão Hegel e o brasileiro Oswald de Andrade.
Pelas informações a que tive acesso (na própria teleSur), apenas o governador Roberto Requião, do estado do Paraná, firmou convênio para repetir o sinal da teleSur em seu estado, incluindo um canal de áudio em português. Vi também, por acaso, alguns programas da teleSur, se bem que alterados, reeditados e muito prejudicados na qualidade, numa tal TV Brasil, que eu desconhecia. Informa-se nela que essa programação se restringe a horários, entre 1h e 7h, nos quais nem as grandes redes TVs conseguem sequer traço de audiência.
Além do já citado documentário sobre Clemente de la Cerda, eis alguns programas que destaco entre os que tive o privilégio de assistir pela teleSur (quase três semanas, com cerca de duas horas de audiência por dia):
- Na série Caminantes, conheci a genial escritora e filósofa Rigoberta Menchú Tum, a índia maya-quiché nicaraguense que foi Prêmio Nobel da Paz, em 1992. O discurso dessa mulher é algo de extraordinário e nos conduz ao melhor pensamento revolucionário e humanista que tive o privilégio de conhecer. A produção (mexicana) do documentário é impecável, assim como a direção, a fotografia e, acima de tudo, a extrema sensibilidade na captação de um maravilhoso depoimento dado em entrevista que a edição montou, talvez na íntegra, pontuado de forma enxuta e severa por iconografias audiovisuais pertinentes, ao ponto de excluir totalmente a participação do entrevistador, tanto na imagem como no texto publicados.
- Da série Nahui - El Rostro del Ecuador, vi três belos filmes de documentário-ficção: Mulucu Auaca, Awa e Huaorani - Los hijos del Sol. Todos são produções equatorianas do final da década de 1990 e reproduzem as lendas e mitos da criação das respectivas tribos, narradas e protagonizadas pelos próprios indígenas em suas línguas originais (legendas em castelhano) e filmadas no habitat natural onde ainda vivem. Belíssimas sequências, dignas de um mestre como Kurosawa, explorando a plasticidade da floresta úmida equatoriana, os silêncios e sons da natureza e a beleza rústica dos indígenas, suas culturas e suas sábias crenças. Só vendo.
- No excelente Agenda del Sur, destaco, entre outros, um que foi dedicado ao uso das plantas medicinais pelas tradições indígenas sul-americanas e a atual exploração de seus conhecimentos por transnacionais ávidas de registrar patentes farmacêuticas. Esse programa é sempre informação jornalística de primeira. Um outro que vi foi dedicado à comida do povo latino-americano. É o primeiro que vejo sobre o assunto que não vem nos falar de bobagens nutricionais como vitaminas, fibras, carbohidratos, dietas burguesas da moda e ecologia de butique, e nos informa com segurança sobre as questões de produção, dos trangênicos, da biomassa vegetal e das tentativas de exploração imperialista das nossas riquezas agrícolas. Nesse programa, registrei a presença bem informada de Roosevelt Franquiz, engenheiro agrônomo e diretor do Instituto de Terras da Venezuela, que muito me pareceu um Marcello Guimarães venezuelano.
- Ainda em Agenda del Sur, se não me engano, pude me deliciar com um recital de música de câmara contemporânea com composições e execução do chileno Alejandro Lavaderos e um conjunto de sopros que executa, em instrumentos tradicionais de bambu e em flautas transversas, um tão inovador quanto genial repertório de música erudita que orgulharia a qualquer nacionalidade de qualquer parte do mundo. Vi também chamadas para programas a serem levados sobre o poeta Mario Benedetti, a atriz Maria Rojo, o pintor mexicano Siqueiros, e outros sobre cineastas, escritores e artistas cujos nomes não me recordo agora, todos muito interessantes. Entre as vinhetas, a minha predileta é a da bailarina, não só pelo tratamento plástico-visual mas, principalmente, pela beleza da sua dança e da música que a acompanha. E pelo final surpreendente, que não vou contar. Outras belas vinhetas são a do pianista Chuchito Sanoja, magistral, e a de uma trupe de atrizescantoras em performances de rua. É boa também (e arriscada, quanto ao áudio) a vinheta dos noticiários. Aliás, as vinhetas da teleSur são todas boas ou muito boas. Excelentes, tanto quanto competentes, são também as criações de identidade visual da teleSur, desde o logotipo, suas animações, seus slogans, suas aplicações em tela, além das entradas e saídas dos programas da grade.
"TeleSur: Nuestro Norte es el Sur".
- Mario Drumond é jornalista e realizador audiovisual (escrito em Belo Horizonte, 16 de maio de 2006)
http://alainet.org/active/11847
¿Es Estados unidos una república bananera?
Cuando a finales de agosto del 2005 el huracán Katrina destruyó Nueva Orleáns y otras ciudades del litoral sur de Estados Unidos, la crónica de aquella desgracia que provocara más de 3 mil muertos, parecía extraída de un manual no escrito de la perfecta república bananera americana.
Entre otros aspectos, diez graves circunstancias respaldaban la semejanza:
Lejos estaba yo entonces de imaginar hasta qué punto iban a seguir apareciendo nuevos puntos de encuentro entre la administración estadounidense y una vulgar y bananera república.
Ayer, sin embargo, nos enterábamos de que parte de los mil millones de dólares que el Gobierno de Estados Unidos destinó como ayuda para las víctimas de los huracanes Katrina y Rita fueron gastados en vacaciones en República Dominicana y Hawai y en otras lúdicas actividades, no precisamente de emergencia.
Los cálculos de la Oficina de Contabilidad de la Casa Blanca indican que las malversaciones de fondos alcanzan más del 16 por ciento del total de la ayuda.
Sobre los gastos en República Dominicana no hay detalles, pero se supone que fueron hechos en hoteles y playas del Este.
Según la auditoría, los usos irregulares de esos fondos incluyen a un hombre que utilizó el dinero para cambiarse de sexo y un funcionario que compró una botella de champán de US$200 en un club de "strip-tease". Otra empleada, gastó US$300 en vídeos pornográficos. Otro funcionario habría gastado miles de dólares para pagar los servicios de un caro y efectivo abogado en un proceso de divorcio.
El diario digital Rebelión publicó que entre las personas que solicitaron ayuda a la Agencia Federal para el Manejo de Emergencias (Fema), algunas usaron direcciones falsas, incluyendo una que resultó ser un cementerio de Nueva Orleans.
Otras personas utilizaron el dinero para adquirir entradas para el fútbol americano, irse de vacaciones al Caribe o comprar joyas. Quien se decidió por conocer Hawai se pasó 70 días en un hotel de aquel centro turístico.
Entre otros aspectos, diez graves circunstancias respaldaban la semejanza:
- A pesar de saberse la trayectoria y dirección de la tormenta Katrina desde siete días antes, sólo a última hora comenzaron a activarse los mecanismos de seguridad y socorro.
- Sólo fueron trasladados los ciudadanos que pudieron costearse su salvación, que pudieron pagar su socorro.
- Los guardias nacionales encargados de preservar las vidas en las ciudades y comarcas inundadas, no estaban en ese servicio, sino empleados en otros afanes y oficios, a 12 mil kilómetros de distancia, en Iraq.
- Buena parte del material de socorro que debió servir para resguardar la vida de la población amenazada por la tormenta, ya transformada en huracán, tampoco estaba donde debía sino en Iraq.
- No había habilitados refugios en condiciones ni dotados de comida, linternas, mantas o agua potable.
- La población más pobre y más negra fue la más perjudicada y la que más muertos y desaparecidos aportó a la tragedia.
- Turbas armadas asaltaron algunos supermercados y policías provocaron más víctimas disparando sobre alborotadores y personas desesperadas.
- A las zonas de desastre llegaron antes los periodistas que los médicos y las cámaras de televisión antes que los botiquines.
- Todavía se ignora el número de muertos y desaparecidos.
- El presidente estaba de vacaciones.
Lejos estaba yo entonces de imaginar hasta qué punto iban a seguir apareciendo nuevos puntos de encuentro entre la administración estadounidense y una vulgar y bananera república.
Ayer, sin embargo, nos enterábamos de que parte de los mil millones de dólares que el Gobierno de Estados Unidos destinó como ayuda para las víctimas de los huracanes Katrina y Rita fueron gastados en vacaciones en República Dominicana y Hawai y en otras lúdicas actividades, no precisamente de emergencia.
Los cálculos de la Oficina de Contabilidad de la Casa Blanca indican que las malversaciones de fondos alcanzan más del 16 por ciento del total de la ayuda.
Sobre los gastos en República Dominicana no hay detalles, pero se supone que fueron hechos en hoteles y playas del Este.
Según la auditoría, los usos irregulares de esos fondos incluyen a un hombre que utilizó el dinero para cambiarse de sexo y un funcionario que compró una botella de champán de US$200 en un club de "strip-tease". Otra empleada, gastó US$300 en vídeos pornográficos. Otro funcionario habría gastado miles de dólares para pagar los servicios de un caro y efectivo abogado en un proceso de divorcio.
El diario digital Rebelión publicó que entre las personas que solicitaron ayuda a la Agencia Federal para el Manejo de Emergencias (Fema), algunas usaron direcciones falsas, incluyendo una que resultó ser un cementerio de Nueva Orleans.
Otras personas utilizaron el dinero para adquirir entradas para el fútbol americano, irse de vacaciones al Caribe o comprar joyas. Quien se decidió por conocer Hawai se pasó 70 días en un hotel de aquel centro turístico.
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